Assassinato e suicídio deram a tônica na abertura do Festival de Cinema de Cannes, na quarta-feira, que traz uma seleção de filmes que prometem ser sombrios competindo pela cobiçada Palma de Ouro.
Dirigido pelo francês Dominik Moll e estrelado pela atriz britânica Charlotte Rampling, Lemming é a história de dois casais cujas vidas se descontrolam. O filme mostra como a tragédia e o medo podem estar à espreita das pessoas, logo abaixo da superfície de suas vidas.
O filme é um dos 21 que participam da competição oficial, e a cidade ensolarada de Cannes, na Riviera francesa, vem se preparando para a chegada de milhares de cinéfilos, jornalistas, astros e estrelas de todo o mundo, pessoas que vêm para ver e para ser vistas.
Vários membros da realeza de Hollywood vão desfilar pelo tapete vermelho nos próximos 12 dias, e, no domingo, o sexto e último capítulo da série "Guerra nas Estrelas", de George Lucas, fará sua estréia mundial.
Dominik Moll reconheceu que Lemming é sombrio, mas disse que o filme contém humor suficiente para deixar o clima mais leve.
- Não o vejo como filme pessimista - ele disse a jornalistas.
A descoberta de um lemingue da Escandinávia no ralo da pia da cozinha faz o público dar risada no início do filme, mas a sequência de acontecimentos desencadeada a partir desse momento rapidamente ganha conotação desagradável.
Em 2004 a Palma de Ouro foi dada ao polêmico documentário Fahrenheit 11 de Setembro, em que o diretor Michael Moore fez críticas ao presidente Bush. Esse fato, acompanhado pela indignação européia em torno da invasão do Iraque e da guerra ao terrorismo em geral travada pelos Estados Unidos, conferiu um clima político a Cannes.
Este ano os organizadores do festival parecem estar querendo navegar águas mais tranquilas, com uma competição que traz diretores respeitados, incluindo quatro ex-ganhadores da Palma de Ouro.
Mas isso não significa que os 21 candidatos ao prêmio principal não reflitam algumas das questões mais candentes dos tempos atuais.
Ainda nesta quarta será exibido Kilometer Zero, do diretor iraquiano Hiner Saleem, que ambientou seu filme durante a guerra entre Irã e Iraque e trata das tensões étnicas entre curdos e árabes, que continuam presentes hoje.
Temas ligados à paternidade e à violência ganham destaque no festival, assim como o faz a presença forte da Ásia, com cinco filmes concorrendo na competição oficial. São trabalhos de cineastas da China, Hong Kong, Taiwan, Japão e Coréia do Sul.
Entre os ganhadores anteriores de Palmas de Ouro que vão competir novamente este ano estão o alemão Wim Wenders, cujo Don't Come Knocking traz um herói à procura de redenção, em estilo de faroeste, e o americano Gus Van Sant, de volta com Last Days.
O americano Jim Jarmusch reuniu um elenco de estrelas que inclui Bill Murray, Sharon Stone, Jessica Lange e Julie Delpy em Broken Flowers, que narra a trajetória do solteirão convicto Don, que parte em procura de um filho cuja existência desconhecia.
Outros pesos pesados incluem o canadense David Cronenberg (A History of Violence), o dinamarquês Lars von Trier (Manderlay), o cineasta israelense Amos Gitai (Free Zone) e o alemão Michael Haneke (Cache/Hidden).
O veterano diretor americano Woody Allen é esperado em Cannes na quinta-feira para apresentar seu filme Match Point, ambientado na classe alta inglesa e estrelado por Scarlett Johansson.
Festival de Cannes começa em clima sombrio
Quarta, 11 de Maio de 2005 às 12:35, por: CdB