Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2026

Festival de Berlim - turcos integrados na Alemanha

Por Rui Martins - Vivem hoje dois milhões de turcos na Alemanha. A emigração turca começou nos anos 50 do século passado, pois mesmo com emigrantes espanhóis e portugueses, faltavam braços na indústria e na construção na Alemanha. No dia 10 de setembro de 1964, ao entrar na Alemanha o milhonésimo emigrante, o governo alemão assinalou essa passagem e ofereceu prêmios de boasvindas ao emigrante, um português. O filme Almanya conta a história de uma família desses imigrantes, já com um neto nascido e outro a caminho.

Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 19:39, por: CdB

Vivem hoje dois milhões de turcos na Alemanha. A emigração turca começou nos anos 50 do século passado, pois mesmo com emigrantes espanhóis e portugueses, faltavam braços na indústria e na construção na Alemanha. No dia 10 de setembro de 1964, ao entrar na Alemanha o milhonésimo emigrante, o governo alemão assinalou essa passagem e ofereceu prêmios de boasvindas ao emigrante, um português. O filme Almanya – Bemvindo na Alemanha conta a história do emigrante que chegou a seguir, o 1 000 001, um turco e da família que trouxe para a Alemanha, até uma homenagem da chancheler Angela Merkel aos emigrantes daquela época. Sem dúvida, esse filme positivo sobre a integração dos emigrantes turcos na Alemanha, que omite as lembranças amargas,  dirigido por uma neta de emigrante, Yasemin Samdereli e com cenário  de sua irmã Nesrin Samdereli, seria um forte concorrente ao Urso de Ouro, mas não não participa da competição. O momento de sua exibição, paradoxalmente, mostra tanto na Alemanha como na União Européia, um clima desfavorável à emigração. Faz pouco tempo, a chanceler Angela Merkel afirmou ter sido um fracasso a política alemã multicultural, enquanto a UE decretou ser crime punível com prisão e expulsão a imigração clandestina. Mas o filme não é de contestação mas parte da constatação de que os primeiros imigrantes são hoje avós de netos integrados na Alemanha, alguns deles nem sabendo falar mais o idioma de origem. É verdade que a Alemanha não ajuda nisso, pois embora nas escolas existam o inglês e o espanhol nos currículos, não há o ensino do turco. Entretanto, a integração é um fato, tanto que, faz alguns anos, a revista Spiegel publicava uma capa, na qual um turco de bigode era mostrado como o futuro alemão, diante da taxa de natalidade muito mais alta que a dos alemães. Isso, porém, não impede que muitos imigrantes e seus filhos e netos tenham uma crise de identidade – se são alemães ou se são turcos, no caso do filme exibido no Festival de Berlim. A história da integração do imigrante turco Hueseyin Yilmaz é plena de momentos de emoção, como o momento de receber seu passaporte alemão. O filme tem momentos de humor que lembram um filme suíço sobre a mesma temática do imigrante, Os Fazedores de Suíços, sobre as absurdas exigências aos estrangeiros para se tornarem suíços. A história dos imigrantes, e particularmente dos turcos, vem sendo contada por eles próprios ou por cineastas alemães. Porém, a maioria desses filmes fala de não integração, de racismo ou problemas vividos por mulheres impedidas de se integrar por seus maridos. A diferença religiosa parece deixar de ser problema em pouco tempo, com turcos muçulmanos com árvores de Natal e seus filhos cantando cânticos católicos. No filme Almanya , mostra-se que um dos filhos do imigrante Yilmaz tinha medo do crucifixo e que a idéia de comer Cristo, na hóstia ou na Santa Ceia, soa como antropofagia. Rui Martins, jornalista, escritor, correspondente em Genebra, convidado do Festival de Cinema de Berlim

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