O filme iraniano mostra uma situação inesperada e pouco conhecida no Irã, país mais conhecido pelo seu fundamentalismo, pela prisão do cineasta Jafar Panahi e pela ameaça de lapidação de Sarineh por adultério. O filme se constrói em torno de um divórcio entre um casal da classe média, depois de 14 anos de casados e com um filha adolescente.
A esposa quer tentar a vida em outro país, o marido não pode, pois seu pai sofre de Alzheimer e dele depende totalmente. Depois de uma discussão diante do juiz, digna de filme italiano, é rejeitado o divórcio por não haver um consenso entre os cônjuges. Mas, Simir, a mulher, larga o marido e vai viver com a mãe, renunciando viajar diante da decisão da filha de ficar com o pai, esperando com isso – vai se saber mais tarde – forçar a mãe a retornar ao lar. Na verdade, não há nenhum problema grave no casal, mas incompatibilidade de gênios.
Sem a mulher em casa, Nader, o marido, contrata uma empregada para tomar conta do pai, durante sua ausência no trabalho. A empregada, pertence a outra categoria social, a dos pobres, que, como explicou o diretor do filme Asghar Faradi, são mais religiosos e guiam sua vida pelo Corão.
Quando o velho pai de Nader, incontinenti e senil faz suas necessidades nas calças, surge o primeiro problema – segundo os preceitos corânicos pode a empregada limpar seu bumbum ? Pelo Profeta, não, porque tal limpeza só podem fazer os membros da família, mas a empregada consegue uma dispensa para isso.
Dois dias depois, ao voltar do trabalho com a filha, estressado, o marido encontra a porta do apartamento fechada e, ao entrar, descobre seu pai caído no chão inconsciente, com a mão amarrada na beira da cama. A empregada, que traz consigo a filha pequena, pois não tem onde deixá-la, ao retornar ao apartamento é repreendida, pois Nader não sabe que seu pai, mesmo senil, tinha saído do apartamento sozinho e foi encontrado por ela na rua. A coitada, gravida de algumas semanas, chegou a receber um choque, quase atropelada por um carro. Como parece ter desaparecido dinheiro, Nader culpa a empregada que, religiosa não suporta a acusação. Na discussão, Nader empurra a empregada, que cai nas escadas, é levada ao hospital e tem um aborto.
Foi o empurrão que matou o feto ? Caso positivo, Nader pode pegar até três anos de cadeia. Essa a trama desse bom filme iranianao, mostrando um país em fase de modernização.
Jafar Panahi
Vir a Berlim, quando o Festival denunciou a prisão de Jafar Panahi, que deveria estar no júri mas cumpre pena de seis anos de prisão e foi proibido de fazer cinema por 20 anos, exige uma tomada de posição. E foi isso que um jornalista pediu, na primeira pergunta. E o cineasta Asghar Farhadi não se negou « Nenhum cineasta do mundo pode fica indiferente ao que se passou, disse. E eu estou ainda mais triste porque conheço Panahi pessoalmente. No dia da manifestação aqui em Berlim, eu lhe telefonei e me senti ainda mais triste porque eu vinha para o Festival ao qual ele não pôde vir. »
O cineasta, que não se inspirou da vida pessoal para fazer um filme sobre divórcio, conta haver um número enorme de divórcios no Irã. E revela haver uma oposição surda entre o moderno nas classes mais elevadas e a classe pobre, religiosa, que rejeita a modernidade.
Festival de Berlim - divórcio à iraniana
Por Rui Martins - O filme iraniano Nader e Simir, uma Separação mostra uma situação inesperada e pouco conhecida no Irã, país mais conhecido pelo seu fundamentalismo, pela prisão do cineasta Jafar Panahi e pela ameaça de lapidação de Sarineh por adultério. O filme se constrói em torno de um divórcio entre um casal da classe média, depois de 14 anos de casados e com um filha adolescente.
Terça, 15 de Fevereiro de 2011 às 17:30, por: CdB
O filme iraniano mostra uma situação inesperada e pouco conhecida no Irã, país mais conhecido pelo seu fundamentalismo, pela prisão do cineasta Jafar Panahi e pela ameaça de lapidação de Sarineh por adultério. O filme se constrói em torno de um divórcio entre um casal da classe média, depois de 14 anos de casados e com um filha adolescente.
A esposa quer tentar a vida em outro país, o marido não pode, pois seu pai sofre de Alzheimer e dele depende totalmente. Depois de uma discussão diante do juiz, digna de filme italiano, é rejeitado o divórcio por não haver um consenso entre os cônjuges. Mas, Simir, a mulher, larga o marido e vai viver com a mãe, renunciando viajar diante da decisão da filha de ficar com o pai, esperando com isso – vai se saber mais tarde – forçar a mãe a retornar ao lar. Na verdade, não há nenhum problema grave no casal, mas incompatibilidade de gênios.
Sem a mulher em casa, Nader, o marido, contrata uma empregada para tomar conta do pai, durante sua ausência no trabalho. A empregada, pertence a outra categoria social, a dos pobres, que, como explicou o diretor do filme Asghar Faradi, são mais religiosos e guiam sua vida pelo Corão.
Quando o velho pai de Nader, incontinenti e senil faz suas necessidades nas calças, surge o primeiro problema – segundo os preceitos corânicos pode a empregada limpar seu bumbum ? Pelo Profeta, não, porque tal limpeza só podem fazer os membros da família, mas a empregada consegue uma dispensa para isso.
Dois dias depois, ao voltar do trabalho com a filha, estressado, o marido encontra a porta do apartamento fechada e, ao entrar, descobre seu pai caído no chão inconsciente, com a mão amarrada na beira da cama. A empregada, que traz consigo a filha pequena, pois não tem onde deixá-la, ao retornar ao apartamento é repreendida, pois Nader não sabe que seu pai, mesmo senil, tinha saído do apartamento sozinho e foi encontrado por ela na rua. A coitada, gravida de algumas semanas, chegou a receber um choque, quase atropelada por um carro. Como parece ter desaparecido dinheiro, Nader culpa a empregada que, religiosa não suporta a acusação. Na discussão, Nader empurra a empregada, que cai nas escadas, é levada ao hospital e tem um aborto.
Foi o empurrão que matou o feto ? Caso positivo, Nader pode pegar até três anos de cadeia. Essa a trama desse bom filme iranianao, mostrando um país em fase de modernização.
Jafar Panahi
Vir a Berlim, quando o Festival denunciou a prisão de Jafar Panahi, que deveria estar no júri mas cumpre pena de seis anos de prisão e foi proibido de fazer cinema por 20 anos, exige uma tomada de posição. E foi isso que um jornalista pediu, na primeira pergunta. E o cineasta Asghar Farhadi não se negou « Nenhum cineasta do mundo pode fica indiferente ao que se passou, disse. E eu estou ainda mais triste porque conheço Panahi pessoalmente. No dia da manifestação aqui em Berlim, eu lhe telefonei e me senti ainda mais triste porque eu vinha para o Festival ao qual ele não pôde vir. »
O cineasta, que não se inspirou da vida pessoal para fazer um filme sobre divórcio, conta haver um número enorme de divórcios no Irã. E revela haver uma oposição surda entre o moderno nas classes mais elevadas e a classe pobre, religiosa, que rejeita a modernidade.