Por Rui Martins - Um desenho em 3D reúne o moderno no antigo, pois os desenhos são no velho estilo, silhuetas recortas em preto sobre imagens coloridas. O autor, Michel Ocelot, desse gênero moderno-arcáico de desenho no cinema, nada a ver com Pixar-Disney, teve sucesso na France com as aventuras de Kirikou.
Domingo, 13 de Fevereiro de 2011 às 19:31, por: CdB
Michel Ocelot gosta de contar histórias à maneira antiga mas usando Terceira Dimensão. Assim, fez Os Contos da Noite, histórias contadas numa mistura de silhuetas recortadas e ativadas num jogo de luzes e sombras, mas bem próximo de marionetes e de figuras fixadas no veludo. Seu filme, portanto, não é de desenhos animados mas de desenhos fixos.
O filme, que despertara curiosidade a ponto de lotar o cinema, aqui no Festival de Berlim, consta de histórias para crianças, foi feito em um ano e sobrepõe as silhuetas dos personagens das histórias recortadas em preto sobre planos fixos coloridos, uma técnica aparentemente simples, com o uso de computador.
Michel Ocelot teve muito sucesso na França, junto ao público infantil, com seus dois filmes Kirikou e a Feiticeira e Kirikou e os Animais Selvagens. Sua técnica básica é ainda a de Lotte Reiniger, criada em 1926, e parece impermeável aos desenhos animados modernos, principalmente japoneses mas igualmente de Pixar- Disney, de Branca de Neve a Toy Story. Porém, seus filmes têm público certo na França e o fato de Os Contos da Noite ser filmado em 3D lhe dá um caráter de filme arcáico-moderno.
Rui Martins, jornalista, escritor, correspondente em Genebra, convidado do Festival de Cinema de Berlim.
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