Festas para homossexuais masculinos infectados pelo vírus da Aids, o HIV, podem ajudar a conter a disseminação da doença, mas esses eventos podem também aumentar a exposição a uma supercontaminação, disseram na quinta-feira cientistas.
As chamadas "Festas POZ" começaram em Nova York, nos anos 1990, como uma reunião informal de homossexuais masculinos portadores do HIV. Desde então, a idéia espalhou-se e chegou ao Canadá, à Austrália e à parte ocidental da Europa.
Michael Clatts e colegas do Instituto Nacional de Desenvolvimento e Pesquisa em Nova York, que entrevistaram 115 homens frequentadores das Festas POZ em 2003, temem que esses eventos contribuam para a disseminação de um tipo de HIV resistente aos medicamentos.
- O contato sexual sem proteção com parceiros portadores do HIV e com parceiros de situação desconhecida fora das Festas POZ pode contribuir para a disseminação de uma superinfecção pelo HIV - afirmou Clatts, em uma matéria publicada na revista Sexually Transmitted Infections.
A resistência aos medicamentos anti-retrovirais transformou-se em um problema nos países desenvolvidos, onde tais tratamentos estão disponíveis há vários anos.
O vírus sofre mutações constantes e pode desenvolver resistência a um tipo ou a mais de um tipo de tratamento com os anti-retrovirais.
Por meio de sites e de listas de email, as pessoas ficam sabendo onde acontecem essas festas. Em algumas cidades, há várias delas por mês.
Homens entrevistados durante o estudo afirmaram participar desses eventos porque ali não era necessário responder a perguntas sobre sua situação em relação à Aids. Outros disseram que se viam atraídos pela possibilidade de praticar sexo sem proteção.
Cerca de 70% dos frequentadores das festas POZ eram brancos, segundo o estudo. A maioria, 97%, mantinha relações sexuais apenas com homens. Preservativos eram raramente usados nesses locais.