“Celebre a festa (...), na ocasião dos primeiros frutos da colheita...” (Êxodo 34:22). A alegria e a animação faziam parte das colheitas desde os tempos de Moises, nas vinhas havia cantos e vozes alegres; pisava-se a vindima nos lagares, e o pisoeiro gritava, marcando o tempo e motivando o grupo. Sem dúvida era uma festa inesquecível.
Desde 1964 em Flores da Cunha comemora-se a colheita, durante a Festa da Vindima, que acontece entre os meses de janeiro e março. A região ganha o perfume das uvas maduras, prontas para se entregar às mãos dos homens, como dádiva de Deus. O inebriante perfume das parreiras fartas para colheita pode ser sentido em cada canto. A visão é estonteante e durante o percurso entre as vinícolas, vemos o quanto é assombrosa a beleza das videiras prontas, maduras enchendo de cores e perfume o ar, que desce suave pelas narinas, degustar a vista é espetacular.
Anualmente, sempre neste período, a rotina se repete. Esse ano, a safra está sendo considerada excelente. A alegria de celebrar o sucesso de uma safra é tão grande que contagia todos que visitam a região. Com o incremento do enoturismo, o visitante passou a fazer parte direta no processo. Hoje é comum ver turistas colhendo uva e, em seguida, amassando-as com os pés.
Milhares de visitantes são atraídos por esta cultura milenar que na Rota do Vinho ganha a simpatia e a hospitalidade de quem se orgulha do que faz e compartilha seu dia-a-dia com todos que buscam estar próximos das raízes da imigração italiana.
Em 1998, a Casa Valduga, em Bento Gonçalves preparou a Primeira Festa da Vindima. Lembro-me como se fosse hoje, pois estive lá, juntinho, levando a idéia que aconteceu degustando vinhos, sempre acompanhada de bons amigos (isso é muito importante). Foi no Rio de Janeiro que falamos sobre as festas da vindima que aconteciam na Europa e no grupo tinha uma pessoa que estava envolvida com editorial da Revista Gula em São Paulo. Foi quando aproveitei a oportunidade para informar que a Casa Valduga sempre fazia a festa da colheita em caráter particular, e que seria uma prazer recebê-los. Daí surgiu a oportunidade de documentar a Festa da Vindima, fato inédito até então. Parti para Bento Gonçalves e com o apoio de Juarez Valduga, Juciane Casagrande, que na época era uma moça que estava começando no escritório da Valduga, muito solícita e simpática (e hoje é a Diretora Comercial da Empresa Casa Valduga), nasceu, a festa que hoje é calendário no Vale dos Vinhedos e partir de então se desencadeou uma sucessão de outras vinícolas fazendo do mesmo jeito, criando história e recordando com isso suas raízes de imigrantes italianos.
Tudo aconteceu em 15 dias de um mês ensolarado de fevereiro. Ainda posso ver o Erielson Valduga buscando o barril certo para cortar e fazer o lagar, “seu” Luiz e a “nona” Maria, patriarcas da família envolvidos com preparativos gastronômicos, o javali ficou marinando um dia inteiro, com os temperos especiais da nona, muito especial. Lembro-me do jeito gostoso dela sorrir, e ainda sinto o carinho do abraço que sempre fiz questão de receber dela. Bons e inesquecíveis momentos. A cantina era pura festa! Uma festa para preparar uma grande festa, com polenta feita dentro do queijo grana-padano da Randon, que entrou também na alegria, como amigos, ajuntados para comemorar.
Seu Luiz se encarregou em caprichar nos torresmos para salada de rucula, (ele tinha um cuidado todo especial com a criação dos porcos, pois dali saía a receita secreta para o seu espetacular salame, que era servido por ele mesmo, no balcão de degustação, a cada visitante, compartilhando também uns pedacinhos escondido harmonizado com bons goles do vinho tinto). Assim o cardápio se formou: javali assado no tempo, no rolete em braseiro mormo, durante o dia inteiro, polenta dentro do queijo grana-padano, salada de rúcula com torresmo, massa, sopa de capeleti, sagu com creme de vinho e vinho, muito vinho.A festa foi prep
Rio de Janeiro, 07 de Novembro de 2026
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