Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Fernando Botero é multado em US$ 200 milhões por falso testemunho

Quarta, 21 de Setembro de 2005 às 05:42, por: CdB

Duas empresas de comércio de obras de arte processaram o pintor colombiano Fernando Botero por US$ 200 milhões perante uma corte norte-americana, acusando-o de falso testemunho e danos econômicos e morais por ter qualificado como pirata uma reprodução de sua obra, informaram nesta terça-feira meios de comunicação colombianos.

As empresas Publix, da Colômbia, e Art Brokers, dos Estados Unidos, alegam que em 1999 adquiriram de um museu colombiano os direitos para reproduzir as obras de Botero. Por isto, consideraram que a desqualificação do pintor lhes causou enormes danos econômicos e morais, segundo cópia do processo divulgada pela imprensa colombiana.

Botero, de 73 anos, cedeu em 1999 parte de sua obra ao Museu de Antióquia, na cidade de Medellín (noroeste), de onde é originário, inclusive a possibilidade de comercializar produtos relacionados com sua obra.

A ex-diretora da entidade, Pilar Velilla, disse à rádio <i>La W</i> que a autorização incluía a possibilidade de reproduzir algumas de suas famosas figuras rechonchudas, e "que o museu utilizou a venda destes objetos para fortalecer as finanças".

O museu cedeu estes direitos à empresa colombiana Publix, que por sua vez os negociou com a americana Art Brokers, que começou a comercializar reproduções de pinturas de Botero nos Estados Unidos.

No entanto, Velilla garantiu que o contrato com a Publix não podia ser cedido e só era aplicável na Colômbia, razão pela qual Botero teria razão ao se queixar da reprodução nos Estados Unidos.

Mas a empresa americana alega que adquiriu os direitos de boa fé e que as declarações de Botero, acusando-a de pirataria, causou um dano.

O advogado americano Michael Tessitore, que assessora o processo apresentado pela Art Brokers, disse que a companhia está disposta a fazer um acordo extrajudicial.

- Sempre existe a possibilidade de um acordo fora da corte - disse Tessitore ao jornal <i>El Tiempo</i>.

Botero, que habitualmente vive em Pietra Santa (Itália), doou nos anos 90 parte de sua obra e de sua coleção privada para que fosse exposta em museus de Bogotá e Medellín.

Tags:
Edições digital e impressa