Dois feriados impõem severa dieta à primeira semana "cheia" de julho. Os negócios financeiros serão concentrados em três dias - de terça à quinta-feira. Na segunda, os mercados americanos fecham com o feriado do Dia da Independência. Na sexta, São Paulo pára pela Revolução Constitucionalista.
Por aqui, índices de inflação serão divulgados todos os dias. Saem o IPC-Fipe, IGP-DI e IPCA fechados em junho. Na quinta, a Fundação Getúlio Vargas traz a primeira prévia do IGP-M de julho.
A Bolsa de Valores de São Paulo e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) não funcionam na sexta. Também saem do ar as diretorias executivas e as mesas de operações dos maiores bancos do país.
O Banco Central vai operar normalmente. Mas na quinta-feira deve ajustar o volume de moeda disponível no sistema financeiro esticando o prazo de eventuais operações até a segunda-feira seguinte.
Os principais eventos monetários dos próximos dias - e que exigem a participação dos bancos que são detentores exclusivos de contas de reservas no BC - acontecem no meio da semana.
A agenda comporta leilões de títulos do Tesouro na terça e intervenções do BC para enxugar reais dos bancos na quarta. Mas a próxima semana tem características peculiares, além do vácuo provocado pelos feriados. A sobra de moeda nos bancos, gerada pelo forte resgate de títulos federais em 1 de julho, foi transferida em parte para o BC por prazo de um dia.
Donos do dinheiro
A preferência dos bancos por aplicação de recursos no curtíssimo prazo reduziu o estoque de reais que, semanalmente, é girado às quartas-feiras por prazos de 15 dias e três meses. O montante desta rolagem semanal caiu de R$ 30 bilhões a R$ 35 bilhões para R$ 18,160 bilhões nesta semana.
O BC enxugou reais por um dia na quarta, na quinta e na sexta. Nesta última atuação --com volta na segunda-- o BC recolheu R$ 14,148 bilhões e surpreendeu os bancos. Reduziu a taxa de remuneração dos recursos de 15,90% para 15,88% ao ano.
O juro teve queda ligeira, mas alertou os bancos sobre a inconveniência (e o custo) de manter tanto dinheiro aplicado por apenas um dia. O BC tradicionalmente corrige o valor desses recursos com taxas inferiores, mas próximas, da meta Selic.
Portanto, qualquer distanciamento inesperado dos atuais 16% da meta Selic assusta os donos do dinheiro. Os bancos sabem que o BC não tem qualquer compromisso de controlar a liquidez, garantindo determinado retorno.
Bancos compram mais títulos do governo
Ao receber juro menor do BC na operação "overnight", a reação imediata dos bancos foi ampliar compras definitivas de LTN e LFT no mercado secundário.
Na semana, os leilões do Tesouro também devem colaborar para conter a moeda disponível porque não haverá resgate de papel. Portanto, ao quitar os leilões, os bancos despacham moeda para o governo.
Bancos e fundos de investimentos --principais compradores de papéis do governo-- esperam ofertas de dois vencimentos de LTN e três de LFT, mas não acreditam que o Tesouro vai reprisar a ampla venda da virada de maio para junho.
Os últimos leilões do Tesouro foram históricos. Os lotes de LTN e LFT superaram 7,7 bilhões de reais. Este foi o maior leilão do ano e com resultado muito positivo para o Tesouro.
As taxas de retorno dos títulos pré e pós-fixados continuaram caindo --confirmando, portanto, disputa dos bancos para garantir a entrada desses ativos nas carteiras.
Hedge sem prêmios
A princípio, o BC faz pesquisa de demanda por "hedge" cambial na terça, dia 6, com foco no vencimento de 989 milhões de dólares de dívida em 15 de julho. Na virada do mês, o BC optou pelo resgate integral de US$ 137 milhões em contratos de swap.
Mas o próximo vencimento de cambiais é maior e composto, principalmente, por títulos convencionais: 366 milhões de dólares por NBC-E, 444 milhões de