Feriado muçulmano mantém Egito tranquilo e sem confrontos
Milhares de apoiadores do presidente deposto do Egito Mohamed Mursi desafiaram nesta sexta-feira as advertências do governo instalado pelas Forças Armadas para acabar com os protestos no país, aumentando a preocupação internacional de que um confronto violento seja iminente.
Membros da Irmandade Muçulmana e apoiadores do presidente deposto do Egito Mohamed Mursi erguem um cataz com a imagem de Mursi ao chegar aos arredores da mesquita de Rabba al-Adawiya
Milhares de apoiadores do presidente deposto do Egito Mohamed Mursi desafiaram nesta sexta-feira as advertências do governo instalado pelas Forças Armadas para acabar com os protestos no país, aumentando a preocupação internacional de que um confronto violento seja iminente.
Multidões reuniram-se para as orações de sexta-feira na mesquita Rabaa al-Adawiya, no nordeste do Cairo, que tornou-se uma virtual fortaleza cercada por barricadas de sacos de areia e tijolos.
- Matem o quanto quiserem. Nós não vamos sair daqui - dizia um pregador à multidão. "Esta é uma revolução. Você que está presente é quem vai tomar a decisão sobre quem vai dispersar."
O acampamento em Rabaa é talvez o ponto mais crítico da crise política provocada pela deposição pelos militares do islâmico Mursi, há cinco semanas, após enormes protestos contra o presidente.
As forças de segurança no país mais populoso do mundo árabe têm advertido os manifestantes a dispersarem pacificamente ou enfrentar uma ação.
Uma trégua não declarada parece ter dominado o feriado de Eid al-Fitr, que celebra o fim do mês de jejum muçulmano chamado Ramadã e segue até domingo. Alguns egípcios sentiram que as forças de segurança não atacariam antes do fim do feriado, o que seria considerado um sacrilégio.
Mas um diplomata de um país europeu disse que seu país estava muito preocupado com a probabilidade de violência neste fim de semana.
- É uma situação perigosa. Há uma preocupação de que as coisas possam se agravar no sábado e no domingo - disse ele à agência inglesa de notícias Reuters.
Em Rabaa, grupos de homens armados com paus guardam a entrada do acampamento. Um agente de trabalho de 43 anos, chamado Mohamed, disse que iria defender sua posição até que Mursi seja restituído.
- Não estamos com medo, porque estamos certos. Somos todos mártires em potencial. Aqueles que estupram os direitos das pessoas são os perdedores. Nós não nos aterrorizamos por tanques e balas - disse ele.
Apesar das palavras corajosas, as armas em exposição seriam irrelevantes perante as forças de segurança. O governo afirma, no entanto, que a Irmandade Muçulmana, o grupo de Mursi, é fortemente armada.
Quase 300 pessoas morreram nos conflitos políticos desde a derrubada de Mursi, incluindo dezenas de apoiadores do presidente deposto mortos a tiro pelas forças de segurança em dois incidentes.
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