Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Feriado encurta semana de agenda cheia de inflação

Segunda, 07 de Junho de 2004 às 07:29, por: CdB

O feriado de Corpus Christi na quinta-feira reduz a semana a três dias e provoca um congestionamento na agenda doméstica de eventos. Mas os bancos preparam plantões para a sexta-feira porque, além da previsão de leilão de venda de títulos do Tesouro indexados ao IPCA (NTN-B), uma bateria de indicadores internacionais será disparada.

Especialmente as estatísticas norte-americanas despertam a atenção do mercado brasileiro. Os bancos já incorporam em suas análises a possibilidade de elevação do juro pelo Federal Reserve no dia 30, mas revelam insegurança quanto a ajustes subsequentes na política do Fed.

Os negócios futuros na Chicago Board of Trade também apontavam, nesta sexta, alta do Federal Fund de 1,0 para 1,25 por cento ao ano neste mês, além de uma cadeia de aumentos que, se confirmados, puxarão a taxa de referência do mercado americano a 2 por cento ao ano até dezembro.

Na sexta-feira que vem, nos Estados Unidos serão divulgados o índice de preços ao produtor em maio, a balança comercial de abril e o índice preliminar de confiança do consumidor em junho, segundo a Universidade de Michigan.

No expediente doméstico da sexta-feira, que deve ser resumido à troca de reservas interbancárias, o mercado também avaliará dados externos da véspera.

Aperto monetário

Na quinta-feira - feriado de Corpus Christi - os destaques internacionais serão o levantamento de pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos no início de junho e a decisão do Banco da Inglaterra sobre o juro básico.

Uma elevação do juro pelo Banco da Inglaterra não é descartada e se de fato a taxa avançar de 4,25 por cento para 4,50 por cento ao ano, o mês de junho poderá ser grifado no calendário por confirmar maior aperto monetário nas economias centrais.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve o juro inalterado em 2 por cento ao ano neste início de mês que deve ser fechado, segundo as projeções, com o Fed rompendo o gesso de sua política de juros e mirando o calcanhar do BCE.

Mas, mesmo com ajuste, o Fed estará oferecendo remuneração de capital equivalente a um terço da taxa sustentada pelo Banco da Inglaterra. E é da perspectiva de disputa mais acirrada de investimentos financeiros que brota o temor de menor oferta de divisa aos mercados emergentes.

Rolagem desafiadora

"No cenário de menor liquidez, a rolagem da dívida externa privada brasileira será tarefa desafiadora, dada a concentração de vencimentos nos próximos meses", avisa o Citigroup.

Em relatório, o departamento econômico do Citi no Brasil lembra que os custos de captação estão subindo, o que torna razoável supor que nem todas as empresas desejarão rolar suas dívidas.

"A opção pode ser por internalizar ou simplesmente quitar as dívidas, quando possível. Por essa razão, passamos a projetar volumes menores de financiamento de médio e longo prazo, como emissão de bônus, notas e commercial papers, além de empréstimos em moeda", explica o Citi.

A instituição também vê outra consequência na retração de tomadores de recursos externos: a redução das reservas internacionais líquidas.

Em abril deste ano, as reservas líquidas somavam 24,742 bilhões de dólares. Para dezembro de 2004, o Citi espera 21,729 bilhões de dólares e, para dezembro de 2005, 21,233 bilhões de dólares.

Safra de índices

Ao contrário da externa, a agenda doméstica estará congestionada nos primeiros dias da semana. E a atenção de bancos e investidores estará dividida entre inflação e desempenho da produção industrial brasileira.

Na terça-feira será concluída a safra dos índices de inflação de maio e os analistas esperam aumento do IPCA, INPC e IGP-DI.

Na quarta-feira, o mercado terá uma sinalização do comportamento dos preços em junho. Sai a primeira prévia do IGP-M deste mês e as estimativas são de queda da variação do patamar de 0,40% para 0,30%

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