Grupos de feministas exigiram nesta segunda-feira o cancelamento do concurso de beleza Miss Mundo 2002, cuja organização foi transferida para Londres depois que planos de sua realização na Nigéria provocaram choques entre cristãos e muçulmanos, nos quais morreram pelo menos 175 pessoas, na semana passada. Além de enfrentar os protestos, a capital britânica está às voltas com problemas para encontrar um local adequado para o evento -- marcado para 7 de dezembro -- porque os teatros Royal Albert Hall e Earls Court já estão reservados para essa data. A ex-atriz Glenda Jackson, que é membro do Parlamento, defendeu a suspensão do concurso. "O melhor que se pode fazer depois desses acontecimentos sangrentos é cancelá-lo", opinou. A feminista australiana Germaine Greer declarou que realizar o concurso em Londres era uma idéia "horripilante". A escritora Muriel Gray afirmou que "essas moças estarão vestindo trajes de banho manchados de sangue". A romancista Kathy Lette comparou o concurso a "um carregamento de lixo nuclear desprezado por todos". O governo da Nigéria havia se empenhado para sediar o concurso de Miss Mundo na esperança de melhorar a imagem do país e impulsionar o turismo. Mas os planos fracassaram. Uma onda de violência, que começou na quarta-feira e se estendeu até o final de sábado, na cidade de Kaduna, foi deflagrada por um artigo de um jornal local, que inflamou os muçulmanos ao dizer que o profeta Maomé gostaria de se casar com uma das candidatas se ainda estivesse vivo.
Feministas exigem cancelamento de concurso Miss Mundo em Londres
Segunda, 25 de Novembro de 2002 às 13:33, por: CdB