Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Feministas exigem cancelamento de concurso Miss Mundo em Londres

Segunda, 25 de Novembro de 2002 às 13:33, por: CdB

Grupos de feministas exigiram nesta segunda-feira o cancelamento do concurso de beleza Miss Mundo 2002, cuja organização foi transferida para Londres depois que planos de sua realização na Nigéria provocaram choques entre cristãos e muçulmanos, nos quais morreram pelo menos 175 pessoas, na semana passada. Além de enfrentar os protestos, a capital britânica está às voltas com problemas para encontrar um local adequado para o evento -- marcado para 7 de dezembro -- porque os teatros Royal Albert Hall e Earls Court já estão reservados para essa data. A ex-atriz Glenda Jackson, que é membro do Parlamento, defendeu a suspensão do concurso. "O melhor que se pode fazer depois desses acontecimentos sangrentos é cancelá-lo", opinou. A feminista australiana Germaine Greer declarou que realizar o concurso em Londres era uma idéia "horripilante". A escritora Muriel Gray afirmou que "essas moças estarão vestindo trajes de banho manchados de sangue". A romancista Kathy Lette comparou o concurso a "um carregamento de lixo nuclear desprezado por todos". O governo da Nigéria havia se empenhado para sediar o concurso de Miss Mundo na esperança de melhorar a imagem do país e impulsionar o turismo. Mas os planos fracassaram. Uma onda de violência, que começou na quarta-feira e se estendeu até o final de sábado, na cidade de Kaduna, foi deflagrada por um artigo de um jornal local, que inflamou os muçulmanos ao dizer que o profeta Maomé gostaria de se casar com uma das candidatas se ainda estivesse vivo.

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