Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Feministas declaram alerta municipal contra violência doméstica em Ciudad Sandino

Quarta, 20 de Julho de 2011 às 12:47, por: CdB

No último dia 8, aAssociação de Mulheres para a Integração da Família (AMIFANIC) e o MovimentoAutônomo de Mulheres (MAM) declararam alerta municipal contra a violênciadoméstica em Ciudad Sandino, situado na área metropolitana de Manágua, capitalda Nicarágua. As feministas definiram a situação como "alarmante”, pois,segundo dados oficiais, só no primeiro semestre deste ano já houve 844 casos deviolência contra a mulher e dois feminicídios.

"Estamos declarando alertamunicipal devido à situação de feminícidios que tem havido em Ciudad Sandino,porque de 11 de abril até hoje temos duas companheiras que foram assassinadaspor seus cônjuges. Até hoje, não há capturados; todos os assassinos sãofugitivos da Justiça”, ressaltou a diretora da Amifanic, Reyna Rodríguez.

MaykelingElizabeth Hernández Jarquín, de 26 anos, foi assassinada no dia 11 de abrildeste ano. A vítima mais recente é Ana Mercedes Saravia Fuentes, de 40 anos,assassinada pelo marido no dia 3 de julho por ter dado um copo d’água a umapessoa na porta de casa. No ano passado, em 19 de agosto, morreu Ana MariaLindo Sandino, de 28 anos. As mortes deixaram órfãs doze crianças.

Deacordo com dados oficiais, em 2010 houve 1.140 denúncias de violência contra amulher. Em seis meses de 2011, o número já chegou a 844 casos, o que leva osmovimentos a temerem que a cifra de 2011 atinja o dobro da de 2010.

Na conjuntura deviolência, a impunidade é outro forte inimigo. Os movimentos acusam a políciade não se esforçar para proteger as mulheres e solucionar os casos de violência.

"Acreditamosque até o momento tem havido negligência policial, porque os familiareschamaram a polícia, quando se encontram esses caras e não se fez nada paracapturar os assassinos, quem cometeram seus delitos com muita façanha, ódio erancor contra as mulheres”, denunciou Reyna.

Demesma opinião, a representante do MAM, Juanita Jiménez, expressou intensapreocupação do movimento com a atitude da Polícia Nacional. "(...) Sobretudoporque há um modelo que se tem vendido internacionalmente, que é o preventivo,e isso não é suficiente se não se inclui a diminuição de atos de violênciacontra as mulheres. Não é fazer justiça com suas próprias mãos. Está agudizando a violência e a ira”, afirmou.

Tia de Maykeling Hernández, Sandra Jarquín temlutado por justiça junto às famílias das outras duas mulheres assassinadas. Elatambém reclama da omissão da polícia. "Aqui a polícia não nos oferece a segurançasuficiente que as mulheres devemos ter, nós queremos que não deixem impunesestes casos e que esses mal-feitores não andem soltos querendo assassinaroutras pessoas”, disse.

Para pressionar as autoridades por justiça, osmovimentos anunciaram que vão realizar atividades de mobilização nos próximosmeses.

Além disso, o MAM levará a cabo uma campanha decomunicação sobre o tema, tendo por objetivo sensibilizar a população. "Estealerta deve ser uma campainha de aviso, tanto para as autoridades municipais,quanto para as autoridades nacionais e junto ao coletivo de AMIFANIC vamosrealizar uma campanha de prevenção e demandar justiça e atenção urgente antesituações semelhantes de violência”, detalhou a executiva do MAM, JuanaJiménez.

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