Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Felipe VI sobe ao trono em momento de crise na Espanha

Quinta, 19 de Junho de 2014 às 12:17, por: CdB
felipe-vi.jpg
Felipe VI assume o trono espanhol em uma cerimônia modesta
Brindado com duas derrotas de sua seleção, primeira a ser desclassificada na Copa do Mundo de Futebol, o novo rei de Espanha, Felipe VI, assumiu o trono nesta quinta-feira em uma cerimônia relativamente modesta. Monarquistas, que enfrentam a resistência cada vez maior dos republicanos, esperam que este seja o início a uma nova era de popularidade para a conturbada família real. El Rey, como o tratam seus súditos, pediu que a Espanha se mantenha unida, mas respeitando as diferenças culturais entre as suas regiões, encerrando um discurso dizendo "obrigado" em quatro línguas: castelhano, basco, catalão e galego. Felipe tornou-se rei depois de seu pai, Juan Carlos, abdicou no início deste mês após série de escândalos que levaram muitos espanhóis, especialmente as gerações mais jovens, a questionarem o papel da própria monarquia. Um dos maiores desafios para Felipe é se ele conseguirá usar seu papel simbólico para estimular o diálogo entre os líderes da Espanha e da rica região nordeste da Catalunha, onde há um crescente movimento de independência. O novo rei, que tem 46 anos, usava uniforme militar com uma faixa e jurou lealdade à Constituição da Espanha antes de abordar dignitários reunidos na câmara baixa do Parlamento, com grande parte do seu discurso dedicado à questão da unidade nacional. – Há espaço para todos nós em uma Espanha unida e diversificada – disse Felipe em seu discurso. Felipe Juan Pablo y Alfonso de Todos los Santos de Bourbon y Grecia converteu-se em Felipe VI depois de mais de 30 anos como herdeiro e de uma vida dedicada exclusivamente à preparação para suceder seu pai, o rei Juan Carlos, que abdicou ao reinado devido a graves problemas de saúde que coincidiram com rumorosos escândalos que deixaram a imagem da coroa espanhola em baixa. O ex-príncipe Felipe assumiu a dura tarefa de convencer os cidadãos espanhóis, cada vez mais desencantados com a família real, sobre a utilidade da monarquia, que no passado já foi extremamente popular. O "herdeiro mais preparado da história da Espanha", nas palavras de seu antecessor e progenitor, é muito diferente de seu extrovertido pai e prefere um estilo de vida sóbrio, algo que poderia ajudá-lo a limpar a imagem da monarquia enquanto se dissipam as mensagens favoráveis ao retorno da república. Felipe é amável e sabe como fazer que as pessoas se sintam cômodas ao seu redor, embora sem o "consenso" e a simplicidade cordial de seu pai, mas muito longe da rigidez da família real britânica, por exemplo. – Está bem informado, tem um bom julgamento, mas seguirá conselhos. E algo que é muito importante na Espanha, não é a simplicidade só, mas saber como se conectar com o povo – disse Bieito Rubido, diretor do monarquista e centenário diário ABC. A discreta vida privada daquele que será o novo chefe do Estado com sua esposa plebeia, a ex-jornalista divorciada Letizia Ortiz, e suas duas filhas, se deve tanto à sua personalidade quanto à sua percepção dos tempos. Os observadores da família real contam que enquanto a comitiva oficial de Juan Carlos passa sinais vermelhos e segue acompanhadas de sirenes de polícia a todo volume, Felipe tenta passar despercebido. – É uma pessoa séria, o oposto de seu pai, está mais próximo de sua mãe, mais alemão – disse à agência inglesa de notícias Reuters José García Abad, jornalista e autor do livro O príncipe e o rei. O filho mais novo dos reis da Espanha, que sobe ao trono pela Lei Sálica, que favorece o homem em detrimento da mulher na linha de sucessão, manteve-se à margem da corrupção e dos escândalos que minaram a credibilidade da família, fazendo-a parecer alheia ao sofrimento do país.
Tags:
Edições digital e impressa