Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Federação de Garimpeiros quer regularizar profissão

Quarta, 12 de Maio de 2004 às 06:20, por: CdB

Para combater o contrabando e a evasão de divisas, o presidente da Federação Nacional dos Garimpeiros, José Alves da Silva, quer regularizar a profissão. De acordo com ele, a medida permitiria, de imediato, a identificação de 550 mil garimpeiros e a movimentação legal de US$ 3 bilhões por ano, com a comercialização de 80% do que é extraído hoje nos 4 mil garimpos ilegais espalhados por todo o Brasil.

Para o presidente, com a regularização da profissão e cadastro, "o garimpeiro passaria a ser um cidadão de fato, identificado, pagando os impostos, com carteira e tudo, e vendo reconhecido comercialmente o valor de seus achados".

A Federação dos Garimpeiros pretende criar, após o cadastramento proposto, uma organização com sede em Brasília (chamada "Trading Coop") para reunir e defender os interesses econômicos das cooperativas de garimpeiros. José Alves ainda prevê a criação de uma cooperativa nacional de crédito para a exploração dos garimpos.

O presidente da Federação Nacional dos Garimpeiros afirmou, em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia, que a regularização da profissão impediria conflitos entre índios e garimpeiros como acontecido recentemente na reserva indígena Roosevelt, em Rondônia, quando índios cintas-largas assassinaram 29 garimpeiros.

"Nesta questão dos assassinatos de garimpeiros em Rondônia - declarou o dirigente -, a Federação contratou advogados que irão pedir, de imediato, a chamada tutela antecipada, ou seja, que as vítimas sejam abrigadas pelo Estado antes mesmo do final das investigações que estão sendo realizadas" .

Sobre as denúncias apresentadas nesta semana de que índias estariam sendo estupradas e até mortas por garimpeiros na área em Rondônia, José Alves da Silva, declarou que não acredita que isto esteja acontecendo. Para ele, "índios e garimpeiros sempre trabalharam juntos, não têm motivos para ficarem se atacando, e estas denúncias fazem parte de uma guerra da mídia interessada em isentar os índios nesse caso de assassinatos de garimpeiros ".

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