Para combater o contrabando e a evasão de divisas, o presidente da Federação Nacional dos Garimpeiros, José Alves da Silva, quer regularizar a profissão. De acordo com ele, a medida permitiria, de imediato, a identificação de 550 mil garimpeiros e a movimentação legal de US$ 3 bilhões por ano, com a comercialização de 80% do que é extraído hoje nos 4 mil garimpos ilegais espalhados por todo o Brasil.
Para o presidente, com a regularização da profissão e cadastro, "o garimpeiro passaria a ser um cidadão de fato, identificado, pagando os impostos, com carteira e tudo, e vendo reconhecido comercialmente o valor de seus achados".
A Federação dos Garimpeiros pretende criar, após o cadastramento proposto, uma organização com sede em Brasília (chamada "Trading Coop") para reunir e defender os interesses econômicos das cooperativas de garimpeiros. José Alves ainda prevê a criação de uma cooperativa nacional de crédito para a exploração dos garimpos.
O presidente da Federação Nacional dos Garimpeiros afirmou, em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia, que a regularização da profissão impediria conflitos entre índios e garimpeiros como acontecido recentemente na reserva indígena Roosevelt, em Rondônia, quando índios cintas-largas assassinaram 29 garimpeiros.
"Nesta questão dos assassinatos de garimpeiros em Rondônia - declarou o dirigente -, a Federação contratou advogados que irão pedir, de imediato, a chamada tutela antecipada, ou seja, que as vítimas sejam abrigadas pelo Estado antes mesmo do final das investigações que estão sendo realizadas" .
Sobre as denúncias apresentadas nesta semana de que índias estariam sendo estupradas e até mortas por garimpeiros na área em Rondônia, José Alves da Silva, declarou que não acredita que isto esteja acontecendo. Para ele, "índios e garimpeiros sempre trabalharam juntos, não têm motivos para ficarem se atacando, e estas denúncias fazem parte de uma guerra da mídia interessada em isentar os índios nesse caso de assassinatos de garimpeiros ".
Federação de Garimpeiros quer regularizar profissão
Quarta, 12 de Maio de 2004 às 06:20, por: CdB