O Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês para o Banco Central norte-americano) deverá manter a taxa básica de juros do país em 2,0% até meados de 2009, quando deve aumentá-los rapidamente para manter as expectativas de inflação sob controle, disse nesta quarta-feira, em nota, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A instituição acredita que o Fed vai dobrar os juros para 4,0% na segunda metade do ano que vem. A alta ocorreria com três elevações de 0,5 ponto percentual no terceiro trimestre e depois duas de 0,25 ponto percentual.
Para a OCDE, o Banco Central Europeu (BCE) vai manter os juros em 4,0% nos próximos 18 meses. Mas ela acrescentou que o BCE precisa estar pronto para mudar o curso rapidamente se o crescimento econômico ou as projeções de inflação piorarem abruptamente.
O Banco do Japão deverá aguardar até a metade de 2009, com uma saída clara da deflação, para elevar o juro do atual patamar de 0,5%, afirmou a OCDE no relatório semestral Panorama Econômico.
Já os bancos centrais britânico e canadense precisarão cortar os juros em 0,75 ponto percentual por causa da queda da produção acima da média, disse a OCDE. O Banco da Inglaterra pode ter que fazer isso com menos pressa por causa do aumento das expectativas de inflação.
O relatório da OCDE prevê que a economia dos EUA seguirá em declínio no segundo trimestre e terá uma performance sofrível no ano de 2008 como um todo. Assim, a economia pode deixar para trás no primeiro semestre de 2009 o pior da crise imobiliária e da turbulência no mercado financeiro.
"O crescimento potencial pode ter sido significativamente reduzido pela crise financeira e o aumento dos preços das commodities, resultando em uma inflação maior do que a projetada", afirma o relatório.
Europa e Japão, ainda que com desaceleração menor do que nos Estados Unidos, não vão escapar da contaminação. Economias emergentes como China e Brasil vão sofrer muito menos, disse.