Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Fed passa a fiscalizar corretoras em tempos de recessão à vista

O Federal Reserve (Fed) ocupou uma mesa em local privilegiado na sede das corretoras norte-americanas, entre elas as gigantes Goldman Sachs e Bear Stearns. De lá, técnicos do banco central dos EUA pretendem monitorar a saúde econômica das instituições. (Leia Mais)

Quinta, 03 de Abril de 2008 às 09:17, por: CdB

O Federal Reserve (Fed) ocupou uma mesa em local privilegiado na sede das corretoras norte-americanas, entre elas as gigantes Goldman Sachs e Bear Stearns. De lá, técnicos do banco central dos EUA pretendem monitorar a saúde econômica das instituições, de acordo com matéria publicada na edição de quinta-feira do diário financeiro norte-americano The Wall Street Journal.

A decisão, inédita na última década, visa assegurar a qualidade dos investimentos realizados com o dinheiro emprestado pelo Fed às empresas de Wall Street e pode ser o início de uma regulação extra sobre elas, segundo a publicação. Ainda segundo o jornal, a decisão do Fed ocorre em meio a críticas à Securities and Exchange Commission (instância de fiscalização do capitais norte-americano, que encontra sua equivalência, aqui no Brasil, na Comissão de Valores Mobiliários) e sua supervisão sobre o Bear Stearns antes do colapso da instituição financeira.

Outras corretoras fiscalizadas pelo Fed são a Morgan Stanley, Lehman Brothers, Merrill Lynch e JPMorgan Chase, acrescentou o jornal.

'Conseqüências severas'

Ainda nesta quinta-feira, o presidente do Fed, Ben Bernanke, defendeu a operação financeira que permitiu o resgate do banco Bear Sterns, como uma forma de proteger a economia dos EUA de "consequências severas".

– Devido as pressões excepcionais sobre a economia global e o sistema financeiro, o dano provocado por um 'default" pelo Bear Sterns teria sido muito severo e extremamente difícil de conter – afirmou Bernanke.

Bernanke falou ao Congresso norte-americano, que avalia as justificativas do Fed de emprestar US$ 30 bilhões e viabilizar a venda do Bear Sterns ao JP Morgan Chase. O Bear Stearns, que já ocupou a sexta colocação no ranking dos maiores bancos de investimentos dos EUA, esteve à beira da falência devido ao seu envolvimento com a crise do crédito imobiliário de alto risco (subprime).

– O impacto adverso de um 'default' não seria confinado ao sistema financeiro mas seria sentido na economia, por meio dos efeitos sobre o valor dos ativos e da avaliação do crédito – acrescentou Bernanke.

Aprovação do Senado

Pela manhã, democratas e republicanos do Senado dos Estados Unidos chegaram a um acordo sobre um projeto de lei que pretende aliviar a crise do mercado imobiliário e evitar que milhões de cidadãos norte-americanos percam suas casas devido à crise do subprime.

– Os senadores democratas e republicanos conseguiram um princípio de acordo para fortalecer a economia ao atender à crise nacional de execuções de hipotecas. Chegar até este ponto requererá concessões de ambas as partes. Este é um começo sólido e bipartidário para proteger as famílias que enfrentam uma execução de sua hipoteca e para ajudar outras famílias a evitar esse problema no futuro – disse o líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid (Nevada).

Entre outras medidas aprovadas no pacote econômicas estão desde a redução das execuções de hipotecas, assessoria hipotecária, a modernização da Agência Federal de Habitação (FHA) até restituições de impostos, entre outras iniciativas. O plano prevê, ainda, segundo os primeiros dados divulgados, uma dotação de US$ 4 bilhões em subsídios para os governos locais para comprar e reformar casas embargadas, além de conceder aos Estados poderes para emissão de bônus de refinanciamento das hipotecas de alto risco e uma devolução fiscal de US$ 7 mil para pessoas que comprem novas casas ou propriedades embargadas.

No total, os benefícios fiscais contidos na lei representariam um custo de US$ 10,8 bilhões para os cofres federais e estaduais na próxima década. No curto prazo, o custo é consideravelmente mais alto, segundo as estimativas dos economistas.

Recessão

No final da tarde desta quarta-feira, Ben Bernanke, reconheceu que a economia americana passa por um período "muito difícil" e que

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