Yellen, CEO do Fed, quer manter o quantitative easing até que a economia norte-americana se recupere plenamente
A recuperação econômica dos EUA continua incompleta, com o mercado de trabalho ainda abalado e salários estagnados justificando a política monetária frouxa no horizonte relevante, afirmou a chair do Federal Reserve, Banco Central norte-americano, nesta terça-feira.
Em forte defesa da atual posição do Banco Central, Yellen afirmou que sinais iniciais de aceleração da inflação não são suficientes para o Fed acelerar seus planos de elevar a taxa de juros, medida atualmente esperada para meados do próximo ano.
Isso poderia mudar, com a taxa de juros subindo mais cedo e mais rápido, se dados mostrarem o mercado de trabalho melhorando com mais velocidade do que o esperado, disse ela. Mas como está, "embora a economia continue melhorando, a recuperação ainda não está completa", disse Yellen em depoimento semestral diante do Comitê Bancário do Senado, repetindo seu foco na lenta participação da força de trabalho e fraco crescimento do salário como importantes para qualquer conclusão sobre a saúde da economia.
– Muitos norte-americanos continuam desempregados – disse Yellen.
Ela apresentou ampla visão sobre a economia ainda em transição após a crise econômica de 2007/2009. Em relatório acompanhando suas declarações, o Fed informou que seu balanço patrimonial vai atingir o máximo de US$ 4,5 trilhões quando seu programa de compra de títulos acabar em outubro, sinal de quanto estímulo o banco central tem tido que liberar para sustentar a economia.
Yellen afirmou ainda que a economia continua gerando empregos e crescimento estável. Mas afirmou que as autoridades do Fed atualmente esperam que sua medida preferida de inflação fique entre 1,5% e 1,75% para 2014, abaixo da meta de 2%. O mercado imobiliário continua fraco, disse Yellen, e o investimento empresarial abaixo do esperado.
Avanço sólido
Em linha com a previsão de economistas norte-americanos, o núcleo das vendas no varejo nos Estados Unidos, medida sobre os gastos dos consumidores, avançou de forma sólida em junho, no mais recente sinal de que a economia encerrou o segundo trimestre em uma base mais firme. Esse ímpeto parece ter avançado para o terceiro trimestre, com mais dados nesta terça-feira mostrando que a atividade industrial no Estado de Nova York expandiu com força em julho.
– Reforça o que parece ser uma economia que ganha mais tração – disse o economista-chefe do TD Securities, Eric Green.
O Departamento do Comércio informou que o núcleo das vendas no varejo, que elimina automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços de alimentos, subiu 0,6% no mês passado após aumento de 0,2% em maio, em dado revisado para cima.
O núcleo das vendas corresponde de forma mais próxima ao componente de gastos do consumidor do Produto Interno Bruto. Anteriormente o dado havia sido divulgado como estável em maio e economistas esperavam alta de 0,5% em junho.
Os ganhos de junho e a revisão para cima de maio sugerem aceleração nos gastos do consumidor no segundo trimestre após fraqueza nos gastos com saúde nos três primeiros meses do ano.
Expectativa
Mas uma queda surpreendente nas vendas de automóveis levou as vendas totais no varejo a subirem apenas 0,2% em junho, após avanço de 0,5% em maio. Embora tenha ficado abaixo da expectativa de economistas de alta de 0,6%, o dado amplia os sinais de fortalecimento dos fundamentos da economia, o que pode aumentar o otimismo de que a recuperação está em uma base sustentável.
Em outro relatório, o Fed de Nova York informou que seu índice Empire State de condições gerais de negócios saltou para 25,60 neste mês, nível mais alto desde abril de 2010, contra 19,28 em junho. As novas encomendas subiram, enquanto o emprego e embarques saltaram. A pesquisa é um dos primeiros indicadores sobre as condições da indústria nos EUA.
O Departamento do Comércio informou ainda que os estoques empresariais avançaram 0,5% em maio após subirem 0,6% no mês anterior, sugerindo que o reabastecimento de estoques ainda irá favorecer o crescimento do segundo trimestre.
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