O Comitê Federal de Mercado Aberto do Banco Central norte-americano (Federal Reserve - Fed), em reunião realizada nesta quarta-feira, decidiu manter inalterada a taxa básica de juros em 5,25% ao ano pela segunda vez consecutiva, após mantê-la em processo de alta por 25 meses, período em que a taxa foi elevada de 1% para 5,25% ao ano. A decisão ficou em linha com a projeção feita pela Austin Rating, bem como pela esperada pela maioria do mercado financeiro.
A forte queda do preço do barril de petróleo, que despencou para atuais US$ 60,0 ante US$ 78,0 registrados na máxima em julho - queda de aproximadamente 23% -, bem como os últimos resultados de inflação e atividade econômica, reafirmam a tese da Austin Rating de que a taxa de juros básica dos EUA não será alterada neste ano, lembrando que ainda ocorrerão mais duas reuniões em 2006 (25/out e 12/dez).
Com o cenário de manutenção da taxa de juros nos EUA, os treasuries (títulos do tesouro dos EUA) têm perdido cada vez mais seu ímpeto de alta observado entre maio e julho e já se encontram em processo declinante. Dessa forma, a expectativa é de retorno da liquidez internacional aos países emergentes, beneficiando os ativos financeiros (bolsas, títulos, moedas, etc.) dessas economias e colocando-os em um novo ciclo de valorização com o retorno dos investidores estrangeiros, mesmo que de forma moderada.
Efeito Krugman
O economista e guru Paul Robin Krugman foi o primeiro a antecipar a crise no sistema financeiro no sudeste asiático ocorrida em 1997. Desde o feito de Krugman, inúmeros "especialistas" querem imitá-lo ao tentar antever crises pelo globo. Atualmente, a principal profecia disparada por tais "especialistas" diz respeito a uma recessão já em 2007 na maior economia do mundo: os Estados Unidos.
De fato há o risco de a economia americana entrar em recessão, mas os discursos de que isso irá de fato ocorrer é um tanto prematuro e infundado. Todo processo de aperto monetário que visa principalmente ajustar o crescimento econômico para um ritmo menor e despressurizar os preços (inflação), como é o caso dos EUA, contém certo grau de risco que não é desprezível. A justificativa dada por alguns é que já há uma gama suficiente de indicadores que mostram a forte tendência de recessão.
Porém, no estágio atual em que se encontra a política monetária nos EUA é impossível mensurar com relativa exatidão seus efeitos colaterais, pois estamos apenas com dois meses de interrupção do processo de aperto monetário e a defasagem entre a decisão de política monetária (basicamente alta ou queda dos juros) e seu total efeito sobre a economia é de aproximadamente 12 a 18 meses nos países industrializados.
Neste sentido, é inequívoco que o processo de aperto monetário iniciado em junho de 2004 esteja apenas no início da "colheita" dos resultados esperados, que é ajustar o ritmo de crescimento da economia a um nível condizente com os preços ao consumidor e ao produtor, em torno de moderados 2% ao ano.
Os últimos resultados de inflação nos EUA, tanto ao consumidor quanto ao produtor, revelam que o objetivo de desinflar os preços na economia tem sido alcançado. Os preços dos ativos imobiliários, que era/é um dos pilares de preocupação da maioria dos analistas em relação a um cenário de crise no sistema financeiro americano, também foi desinflado, resultando em um número cada vez menor de novas construções iniciadas e de vendas de novas residências.
Diante de todo esse contexto, vale resgatar as preocupações com os famosos e temidos "déficits gêmeos" que contaminaram o mercado financeiro no período 2003-2005 e que agora seguem sem maiores desarranjos nos ativos ou projeções macroeconômicas. Isso mesmo sem ter ocorrido qualquer melhora nos déficits, muito pelo contrário, pois o que houve foi maior deterioração.
No caso dos déficits gêmeos, o que parece é que ninguém se atentou em analisar ou estudar mais a fundo quai