Jeffrey Lacker vota na política econômica do Federal Reserve para os EUA
O Federal Reserve (banco central norte-americano, Fed, na sigla em inglês) deve encerrar seu programa de compra de títulos rapidamente, e o fim do plano de estímulos está "a vista", afirmou neste sábado uma importante autoridade do Federal Reserve a uma revista alemã. O presidente do Fed, Ben Bernanke, sacudiu os mercados no fim de maio ao falar sobre os planos da instituição de reduzir os estímulos devido à melhora na economia. O Fed deve reduzir suas compras mensais mais tarde este ano e encerrá-las até meados de 2014 se a recuperação da economia se desenvolver como esperado, afirmou Bernanke.
– Precisamos deixar o programa de compra de títulos rapidamente – disse à revista WirtschaftsWoche o presidente do Fed em Richmond, Jeffrey Lacker, uma das autoridades mais conservadoras do banco e crítico persistente da última rodada de compra de títulos.
Lacker apontou para a baixa inflação e disse que uma queda mais rápida do que a esperada na taxa de desemprego dos EUA era um fator suficiente para começar a deixar o programa.
– O fim dessa compra de títulos foi tema da última reunião do Fed – disse Lacker, que não está entre os membros da instituição que votarão sobre a política monetária neste ano.
Lacker afirmou que os EUA quase não avançaram no corte de sua dívida e, em vez disso, utilizaram soluções temporárias por vários meses de uma só vez.
– Primeiro, devemos encerrar as compras mensais de títulos hipotecários o mais rápido possível. Não era papel do banco central dar apoio preferencial a algum setor – afirmou Lacker na entrevista.
Cotação do dólar
O quantitative easing, programa de irrigação da economia nort-americana, fez o dólar fechar em alta em relação ao real nesta sexta-feira, em um dia com pouco volume de negociação, diante do movimento de investidores estrangeiros retirando recursos do país pela expectativa com o futuro da política monetária dos Estados Unidos.
A atuação do Banco Central, ao fazer intervenção no mercado nesta sessão, evitou que a valorização da moeda fosse mais expressiva no Brasil, segundo operadores.
O dólar fechou em alta de 0,73%, para R$ 2,2558 na venda, com volume financeiro em cerca de US$ 1,4 bilhão, de acordo com dados da BM&F, inferior à média de US$ 2,12 bilhões da semana.
– O mercado oscilou quando saiu o dado de confiança do consumidor nos EUA e o resultado do leilão de swap da sexta-feira, quando o BC rolou os contratos que faltavam e ainda vendeu mais um pouco – afirmou um operador de banco nacional à agência inglesa de notícia Reuters, sob condição de anonimato.
O dólar só firmou uma tendência de alta depois do leilão do BC. Antes, oscilou bastante entre os terrenos positivo e negativo, chegando na máxima a R$ 2,2578 na venda e, na mínima, a R$ 2,2400. O mercado reagiu à confiança do consumidor dos Estados Unidos, que subiu em julho para o maior nível em seis anos, a 85,1, ante 84,1 em junho, superando as expectativas. Foi o maior nível desde julho de 2007 e também uma melhora ante a leitura inicial de julho de 83,9.
Com isso, o mercado voltou a especular sobre os próximos passos do Fed, que volta a se reunir para definir o rumo da política monetária na quarta-feira, e a necessidade de estímulos monetários. Em relação a uma cesta de moedas, o dólar atingiu a menor cotação em cinco semanas.
Com os sinais de melhora da economia norte-americana, os investidores ficam em alerta sobre a possibilidade de o Fed reduzir seu programa de compras de ativos em breve, o que limitará a liquidez internacional.
– Aqui (no Brasil), o mercado está com pressão compradora, sobretudo, vinda de investidores estrangeiros – afirmou o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki.
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