O mercado financeiro norte-americano acordou, nesta terça-feira, com a notícia de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) voltaria a cortar juros em até um ponto percentual, em meio a um ambiente em que investidores aguardam resultados de bancos que podem agravar ainda mais a crise de confiança no sistema bancário do país. Operadores esperavam que o Fed cortasse juros em 1 ponto percentual, em mais um esforço para interromper a diluição dos mercados financeiros e impulsionar a economia do país.
Desde o início de outubro, o Fed cortou as taxas overnight em 2,25 pontos percentuais, para 3%, devido a um aumento na inadimplência de hipotecas de alto risco. Era a ponta de um iceberg que, nesta segunda-feira, mostrou-se bem maior do que se imagivanva com a pré-falência do banco Bear Stearns, o quinto maior dos EUA. O novo corte de juros, apontado como o maior desde 1982, no entanto, não é o foco principal dos investidores. Os principais analistas financeiros daquele país também fixaram suas expectativas nos resultados trimestrais dos bancos de investimentos Goldman Sachs, o mais lucrativo do setor nos Estados Unidos, e o Lehman Brothers, o quarto maior.
O Goldman Sachs anunciou que seu lucro caiu pela metade no primeiro trimestre com as fortes perdas em empréstimos para empresas e em outros ativos. Mesmo assim, os resultados ficaram acima das expectativas de analistas. O maior banco de investimento dos EUA em lucro e valor de mercado informou que seu ganho caiu para US$ 1,51 bilhão, ou US$ 3,23 por ação, no trimestre encerrado em 29 de fevereiro. No mesmo período do ano anterior, o lucro havia sido de US$ 3,20 bilhões, ou US$ 6,67 por ação. A receita trimestral caiu de US$ 12,7 bilhões para US$ 8,34 bilhões. Analistas esperavam, em média, que o Goldman lucrasse US$ 2,57 dólares, com US$ 7,3 bilhões de dólares em receitas, de acordo com a agência inglesa de análises econômicas Reuters Estimates.
Em desaceleração
Na manhã desta terça-feira, em entrevista a jornalistas, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, afirmou que a economia dos Estados Unidos prossegue em forte desaceleração, mas prefere não classificar a atual crise como uma recessão.
- Sabemos que estamos em forte desaceleração e não há dúvidas de que o povo americano sabe que esse desaquecimento é intenso. O que menos importa para mim é como a situação atual é rotulada. Mais importante é o que podemos fazer sobre ela - afirmou.
Paulson também disse que o Tesouro estava "ciente" das turbulências nos mercados de capitais e disse não acreditar que os acionistas do Bear Stearns crêem que foram salvos pelo Fed.
- O foco de parte daqueles que decidem a política econômica é minimizar o deslize da economia. Precisamos manter nosso mercado de capitais estável e funcionando bem - afirmou.
Nesta segunda-feira, após um novo risco de grave destabilização do sistema bancário do país, a autoridade monetária reduziu a distância entre a taxa de redesconto, a taxa pela qual empresta diretamente aos bancos, e a taxa dos fed funds, a taxa overnight que os bancos cobram entre si em empréstimos e que é a principal ferramenta do Fed. A diferença foi reduzida de três quartos para um quarto de ponto percentual.
O Fed também lançou mão de uma série de outros passos ortodoxos para fornecer liquidez, incluindo um financiamento de US$ 30 bilhões para o JPMorgan comprar o Bear Stearns. O BC norte-americano também montou um novo programa para fornecer dinheiro para uma ampla variedade de instituições financeiras de grande porte.
Ponto máximo
Em seu relatório de estratégia de portfólio global, divulgado nesta terça-feira, o banco Lehman Brothers afirmou que os mercados financeiros "passaram dos limites" e estão perto do "ponto máximo de estresse". Uma resposta cada vez mais agressiva da política dos Estados Unidos e um mercado que já caiu intensamente trouxeram u