Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Fechamento de escolas de migrantes provoca indignação na China

Quinta, 18 de Agosto de 2011 às 09:54, por: CdB

Fechamento de escolas de migrantes provoca indignação na China

Por Sabrina Mao e Maxim Duncan

PEQUIM (Reuters) - A China fechou 24 escolas de Pequim voltadas para filhos de trabalhadores vindos do interior do país, o que forçou a saída de mais de 14 mil alunos e provocou indignação entre os pais, que disseram sofrer discriminação, informou a mídia estatal chinesa.

Autoridades locais informaram as escolas que elas não atendiam aos padrões de higiene e segurança. "Fiquei muito triste quando ouvi que a escola iria fechar. Terei de mandar meus filhos de volta para nossa cidade-natal, em Henan", disse à Reuters o funcionário da coleta de lixo He Zhongshan, de 42 anos, na Escola Experimental Dongba, na periferia norte de Pequim.

"O padrão de vida em Pequim é muito melhor do que na minha cidade, a educação aqui é boa. Mas para serem matriculados nas escolas públicas meus filhos precisarão de muitos certificados", afirmou.

Apesar de a esmagadora maioria dos 150 milhões de trabalhadores provenientes da zona rural vislumbrarem seu futuro em cidades, eles costumam ser tratados como "intrusos" que não são bem-vindos e têm poucos direitos.

A China tem um sistema de concessão de vistos no meio urbano (chamado de hukou), pelo qual a maior parte dos benefícios sociais, recursos para moradias e serviços de saúde se destina a residentes das cidades, o que significa que trabalhadores do interior não têm acesso às escolas estatais subsidiadas.

"As autoridades dizem que encontrarão lugar para todas as crianças que ficarão sem vagas, mas eles deliberadamente impuseram limites tão elevados para qualificação à realocação que a vasta maioria das famílias de migrantes não consegue atender às exigências", disse Geoffrey Crothall, diretor de comunicação para o grupo de defesa dos direitos dos trabalhadores China Labour Bulletin, em comentários por e-mail.

Segundo Crothall, o fechamento de escolas para migrantes em Pequim, é um complô de governos locais para liberar terras para o setor imobiliário, já que seu preço continua a subir nos subúrbios de Pequim.

(Reportagem adicional da Redação de Pequim)

Reuters

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