A polícia federal dos EUA (FBI) está interrogando muçulmanos e árabe-americanos com a esperança de obter informação que poderia prevenir grandes atentados neste ano de eleições, segundo advogados de alguns dos interrogados.
Essa atividade, que se realiza em todo o país, foi decidida pelo FBI e por outras instituições como conseqüência de relatórios da espionagem, que indicam que o grupo terrorista Al Qaeda planeja realizar atentados de grande amplitude nos próximos meses nos EUA, disseram fontes do Departamento de Justiça.
O secretário de Justiça, John Ashcroft, anunciou publicamente em um comunicado, no dia 9 deste mês, a possibilidade desses ataques, embora não tenha precisado quando, onde e como poderiam ocorrer.
Acrescentou que, como parte dos esforços para impedir os atentados, especialmente pela proximidade das eleições em 2 de novembro, se pediu a colaboração da comunidade de muçulmanos e árabe-americanos para que facilitem qualquer informação que possam ter.
Até agora, pelo menos uma dúzia de entrevistas voluntárias foram realizadas entre líderes comunitários, estudantes, empresários, entre outros, segundo informa hoje, sábado, o jornal "The Washington Post", citando os advogados dessas pessoas e ativistas muçulmanos e árabes.
As autoridades dos EUA não divulgaram o número de membros desses grupos que pretendem interrogar, mas indicaram que esperam ampliar esses esforços de forma significativa na próxima semana ou mais adiante.
A nova rodada de interrogatórios inclui mais pessoas que o programa de comparecimentos voluntários com homens de países árabes e muçulmanos nos Estados Unidos, que se pôs em prática depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e que foi duramente criticado como ineficaz e racista.
Um funcionário do FBI disse que o plano atual de busca direta de dados entre os cidadãos originários desses países não inclui a população em geral, acrescentando que "essas pessoas foram identificadas pelos serviços de inteligência ou por investigadores de informação".
Advogados de alguns dos interrogados disseram que os interrogatórios têm uma ampla gama de temas e que, por exemplo, na Califórnia e no Arizona, são perguntados sobre se conhecem alguém que tenha estado recentemente na região de Waziristão, na fronteira do Paquistão.
Essa zona é considerada pelos EUA como um dos refúgios de membros proeminentes da Al Qaeda.