Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Fazendeiros e índios prometem resistir em Roraima

Sábado, 10 de Janeiro de 2004 às 11:14, por: CdB

A ordem em Boa Vista, capital de Roraima, é resistir. Fazendeiros e índios prometem não desistir da luta pelas terras da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

- Não podemos nos entregar. Estamos em guerra - disse o fazendeiro Agenor Fátio, que tem plantações de arroz nas terras.

Desde terça-feira, manifestantes, entre eles posseiros, fazendeiros e índios, protestam contra a homologação contínua da reserva Raposa Serra do Sol. Eles querem que a área seja demarcada em forma de ilhas, deixando de fora cidades e fazendas produtivas. De acordo com outro fazendeiro, Paulo César Quartiero, isso representa 10% de uma área de 1,7 milhão de hectares.

A situação no estado é delicada. A reserva foi demarcada em 1998 e desde então espera pela homologação. Vivem na região cerca de 15 mil índios e quase 700 brancos. O ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, esteve no estado no ano passado, visitou tribos e conversou com as lideranças.

No final de dezembro, ele anunciou que as terras seriam homologas de forma contínua. A decisão não agradou a muitos, principalmente, os grandes produtores do estado e o próprio governo, que defende a homologação fatiada.

As estradas que dão acesso à capital foram bloqueadas na terça-feira e liberadas ontem. A sede do Incra, que foi invadida, também foi liberada. Três missionários feitos reféns foram soltos. A sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) continua invadida.

O maior temor do administrador substituto da Funai, Manuel Tavares, é que os índios a favor da homologação comecem a se manifestar. Por enquanto, eles continuam confiantes no governo federal.

- No momento, estamos tranqüilos e pedimos que o governo federal não volte atrás. Não vamos abrir mão e temos o apoio de várias organizações - disse o coordenador do Conselho Indigenista de Roraima, Jacir José de Souza Macuxi.

Apesar disso, ele afirmou que não vai desistir da luta.

- Se tiver índio vivo, vai incomodar - ressaltou.

Os fazendeiros acreditam que a economia do estado vai ficar abalada se a reserva for homologada como planejado.

- Temos dois municípios dentro da área, com grandes áreas produtivas, plantadores de melancia, plantadores de banana. Temos pequenos e grandes produtores. Não é possível que toda essa área tenha que ser destinada à comunidade indígena, porque eles mesmos não querem - disse Agenor.

Quartiero, por sua vez, acredita que haja um complô para acabar com o estado.

- Ongueiros tomaram conta de tudo - ressaltou.

Ele acha que o governo federal deve dar mais apoio ao estado.

- Roraima é Roraima, não é Robaima. Não é gafonhoto, não é ongueiro, aqui tem gente. Gente brasileira que está guarnecendo a fronteira deste rincão - destacou.

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