Símbolos da frustração do sonho urbano, centenas de famílias de ex-agricultores que sobreviviam nas periferias de Cuiabá e Várzea Grande 'voltaram às raízes' na última terça-feira sob a chancela do Movimento dos Sem-Terra (MST).
Por volta das 5 horas, cerca de 1 mil pessoas, coordenadas pelo movimento, colocaram abaixo as cercas da fazenda Taburacá, uma propriedade de 5,6 mil hectares, localizada a 17 quilômetros do município de Jangada, e montaram acampamento.
De acordo com o MST, este é o maior latifúndio já ocupado por famílias sem-terra na Baixada Cuiabana nos últimos anos, região considerada de difícil mobilização pelos ativistas do MST.
- Não é fácil convencer uma família a deixar a cidade grande, ainda que a situação seja a pior possível. A culpa disso é do assistencialismo político que impera por aqui - argumenta Éder Gilberto, um dos coordenadores estaduais do movimento, que participou da ação.
Os barracos feitos de madeira extraída do cerrado e cobertos de lona se espalham pelas margens da BR-163, a poucos metros do córrego Espinheiro, que empresta o nome para a propriedade. Dentro dos poucos cômodos já prontos no início da tarde, uma cena que se repete com insistência incomum: muitos idosos dispostos a recomeçar do zero e crianças.
- A grande maioria representa mesmo aqueles que vieram às grandes cidades estimulados por uma ilusão. Agora é hora de recuperar o tempo perdido - afirma o coordenador do MST.
Os sem-terra estimam que serão necessários pelo menos cinco dias para que todos os barracos estejam prontos e os terrenos limpos. Os alimentos, que foram trazidos pelas famílias, devem durar entre 10 e 15 dias, segundo o MST.
- Depois disso confiamos em contribuições, principalmente do Programa Fome Zero - afirmou um dos membros do MST.
Fazenda do Mato Grosso é ocupada pelo MST
Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 00:31, por: CdB