Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Favorito, Abbas conclama palestinos a votarem

Mahmoud Abbas, favorito nas eleições deste domingo na sucessão de Yasser Arafat, prometeu que um dia os palestinos irão à cidade "aos milhões, como gente livre". Relativamente moderado, ele desperta a esperança de retomada do processo de paz no Oriente Médio, com promessas de conter a violência dos militantes. (Leia Mais)

Sábado, 08 de Janeiro de 2005 às 09:22, por: CdB

Mahmoud Abbas cancelou um comício marcado para sexta-feira em Jerusalém Oriental, devido à presença militar israelense, mas prometeu que um dia os palestinos irão à cidade "aos milhões, como gente livre".

Abbas é o favorito nas eleições presidenciais palestinas deste domingo. Relativamente moderado, ele desperta a esperança de retomada do processo de paz no Oriente Médio, com promessas de conter a violência dos militantes.

O comício de encerramento da campanha, no coração árabe de Jerusalém, tinha como objetivo mostrar que ele não desistiu de reivindicar essa parte da cidade sagrada como capital do eventual Estado palestino.

Com o cancelamento, Abbas fez campanha em uma aldeia da Cisjordânia na divisa com Jerusalém Oriental. Ele disse a milhares de eleitores que não há por que se assustar com a suspensão do comício.

- Hoje não fomos a Jerusalém, mas amanhã estaremos em Jerusalém, porque Jerusalém é a capital eterna do povo palestino. Os muros e assentamentos israelenses não vão nos impedir de chegar lá - disse ele, sob gritos de aprovação. - Queremos nossa Jerusalém. Vamos a Jerusalém como gente livre, milhões de nós! - disse Abbas, que assumiu o comando da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em novembro, depois da morte de Yasser Arafat.

Arafat frequentemente conclamava "milhões de mártires a marcharem para Jerusalém", um slogan que Israel considerava ser uma incitação à violência. Arafat morreu negando que incentivasse o derramamento de sangue.

Israel capturou da Jordânia a parte oriental de Jerusalém em 1967 e posteriormente a anexou, o que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional. O governo considera a cidade como "capital eterna e indivisível" do Estado judeu.

Segurança israelense 

Autoridades ligadas a Abbas disseram que ele preferiu cancelar o comício porque não queria aparecer à sombra do poderio militar israelense em Jerusalém, o que seria nocivo para sua tentativa de convencer os militantes de que ele não é um lacaio de Israel. Essas fontes palestinas disseram que o governo de Israel informou Abbas que montaria um cordão de isolamento em torno dele, para evitar agressões por parte de judeus ultranacionalistas.

A sexta-feira foi o último dia de campanha. As pesquisas mostram que o ex-primeiro-ministro Abbas é o franco favorito. Outro candidato, Mustafa Barghouti, fez campanha em Jerusalém Oriental na sexta-feira e chegou a ser detido quando entrou sem permissão em uma área da Cidade Velha que é sagrada para judeus e muçulmanos, segundo um porta-voz da polícia.

- Estou vindo aqui orar na mesquita e agora vocês estão me prendendo. Vocês estão detendo um candidato presidencial com uma permissão para estar em Jerusalém - disse Barghouti, um ativista de direitos humanos que está em segundo lugar nas pesquisas.

Um porta-voz policial disse que Barghouti tinha autorização para participar de um debate em um hotel da cidade, mas não para visitar o Monte do Templo, dentro dos muros da Cidade Velha.
Israel autorizou os palestinos de Jerusalém Oriental a votarem nas eleições e os candidatos a fazerem campanha em prédios particulares.

Abbas assustou Israel e os Estados Unidos nesta semana ao referir-se ao "inimigo sionista," depois que um tanque israelense matou sete adolescentes em uma lavoura de morangos da Faixa de Gaza. O Exército disse que o alvo do ataque era um grupo de militantes que lançavam mísseis.

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