Diante desse quadro, Cristina falou, pela primeira vez, como se já fosse presidente eleita, numa entrevista ao colunista do jornal Clarín Eduardo van der Kooy.
- Não esperem nenhuma política de choques - disse. - Tenho consciência de que algumas situações devem mudar, devem ser corrigidas. Me refiro ao econômico, ao institucional e também ao social. Mas qualquer mudança será gradual. Deverá ser resultado de acordos - afirmou.
Tensões demais
Segundo ela, a sociedade argentina já passou por sofrimentos e tensões demais.
- Mas claro que antes de tudo, preciso que votem em mim e preciso ganhar - reconheceu. E em seguida, ressalvou: - A derrota não está nos meus planos.
Para Cristina, a Argentina está melhor e quem não aceita isso, disse, “peca de nécio” (passa por idiota). A candidata da Frente para a Vitória afirmou ainda conhecer a responsabilidade que significa a crescente demanda social, num país que está melhor.
- Mas estou serena e confiante. Por isso insisto tanto na concertação, na convergência de interesses entre empresários e sindicalistas, com a prudência de todos.
Nesta segunda-feira, ela está em Berlim, na Alemanha, onde discursa para empresários e se reune com a chanceler alemã, Angela Merkel. A expectativa é de que ela passará pelo Brasil antes das eleições.
Pesquisa
Segundo a pesquisa de opinião, realizada pela consultoria Graciela Römer & Associados, Cristina venceria, no primeiro turno, com 44,6% dos votos.
Em segundo lugar, ficaria a ex-deputada da oposição Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, com 13,6% dos votos.
Em terceiro, o ex-ministro da Economia do governo Kirchner, Roberto Lavagna, do UNA, que receberia 11,3% da votação nacional.
O ex-ministro do governo do ex-presidente Fernando de la Rúa, Ricardo López Murphy, do partido Recrear, receberia, de acordo com o mesmo levantamento, 5,2% dos votos.
Pela pesquisa, os outros dez candidatos a presidente dividiriam 7,2% das urnas. Na opinião da analista Graciela Römer, apesar da inflação crescente, da insegurança pública e das denúncias de corrupção, os argentinos tendem a votar em Cristina por dois motivos: o crescimento econômico, registrado nos quatro anos da gestão de Kirchner e a “ausência” de oposição de peso nesta corrida eleitoral.
Segundo Römer, a provável fórmula política – Cristina no poder, governando com a ajuda do marido – não parece incomodar os eleitores”.
No dia 28 de outubro, os argentinos irão às urnas para escolher presidente e vice-presidente, além de governador das províncias de Buenos Aires (a maior do país) e de Santa Cruz (terra de Kirchner) e senadores e deputados.
O sistema eleitoral argentino permite, por exemplo, que o presidenciável López Murphy seja, ao mesmo tempo, candidato à presidente e a deputado federal, pela província de Buenos Aires.