Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Favelas, Haiti e liberalismo econômico

Sexta, 10 de Junho de 2011 às 10:55, por: CdB

Por Favelado 10/06/2011 às 16:30

Favelas, Haiti e liberalismo econômico

Os direitolos vem aqui no CMI dizer que a pobreza é a ausência do livre mercado, da liberdade econômica e do capitalismo.

É baseado nesse argumento que eles dizem que o Haiti não é capitalista embora possua as características que eles defendem como baixa carga tributária, leis trabalhistas flexíveis e Estado ausente.

Fui dar uma olhada no site dos ídolos do Salanta e encontrei um artigo onde o autor defende que nas favelas vigora a liberdade econômica:

"O capitalismo sobrevive nas camadas mais baixas, nas favelas, nas transações pequenas o bastante para fugir ao radar do estado, e as quais não valeria a pena controlar. Quando o estado aparece, é na forma de fiscais facilmente subornáveis, que viram parte do ecossistema. Camelôs, cozinheiras, bares, cabeleireiros, lojas de roupa, escolas privadas, cinemas caseiros, lan houses ? tudo operando informalmente.

Stewart Brand não é um economista libertário. Suas causas são o ambientalismo e o fim da pobreza. Sua fala no TED dá uma boa idéia do que é a vida nas favelas ao redor do mundo: não são campos de refugiados onde famintos aguardam de mãos estendidas (a bem da verdade, nem mesmo os campos de refugiados são assim); são gente vivendo, produzindo, construindo e trocando. "These are not people crushed by poverty; these are people busy getting out of poverty" (~ 4:30 min.) Não se trata de pessoas esmagadas pela pobreza; e sim de pessoas ocupadas em sair da pobreza, como prova a economia vibrante das favelas."
 http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1007

Questionado por um dos debatedores o autor disse o seguinte, no campo dos comentários:

"O que eu disse foi que, nas favelas, há menos controle estatal; portanto, mais liberdade econômica. Se houvesse mais controle estatal, elas estariam ainda mais pobres. Não haveria lojas, bares, comércio, etc. Aliás, a maioria não poderia nem construir suas casas, pois todas estão em situaçõa irregular. Morariam embaixo de pontes; felizmente, o estado não os fiscaliza tanto assim (agora, se alguém da classe média resolver fazer uma reforma no quintal da casa, lá vem o fiscal...). Já reparou como os barracos de madeira quase desapareceram e que hoje a imensa maioria são casa de alvenaria? Os moradores da favela estão preocupados em melhorar sua condição de vida; se o estado não atrapalhar, é exatamente isso que farão."


Em outro trecho ele ainda diz para outro debatedor que questionou a sua teoria:

"Sim, as favelas têm mais liberdade econômica (os empreendimentos pagam menos impostos - ou imposto nenhum -, as regulamentações não são seguidas). Só que disso não dá para concluir que quereríamos, portanto, morar lá.

(...)

Assim, muito embora a favela tenha mais liberdade econômica, ainda é, para a maioria das pessoas, melhor viver numa vizinhança mais rica, desde que se tenha condições. (A favela, por sua vez, é preferível à pobreza rural para muita gente). A liberdade econômica não é a única coisa que valorizamos ao escolher onde morar, embora ela seja, sempre e em todos os lugares, um bem. Há outros bens que também são levados em conta: acesso a rede de esgotos, aspecto da vizinhança, qualidade da rua, localização, etc."


Nas favelas vigora o livre mercado. Quem diz isso é um liberal. E agora? Com que cara o Salanta, o Imundim, o Pingo e o Romané vão negar o livre mercado no Haiti?

Com a palavra a turma do CMI.

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