Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Favelados sem PAC se dizem discriminados

Sexta, 07 de Março de 2008 às 05:08, por: CdB

A separação entre o Complexo do Alemão e o Complexo da Penha é feita por apenas uma rua. Os conjuntos de favelas na Zona Norte do Rio reúnem 23 comunidades e mais de 200 mil habitantes. Mas apesar da proximidade, só um dos lados receberá obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
 
Enquanto o Alemão ganhará novas ruas, escolas, biblioteca, creche, posto policial e até um teleférico, no valor de R$ 601 milhões, as dez favelas da Penha não foram contempladas com verbas do PAC, o que acaba deixando os moradores revoltados.
 
– Da nossa parte, a gente só ganha mesmo é bala. É a única coisa que nós temos aqui do outro lado. É só caveirão subindo e dando tiro, protesta Maria do Socorro Lima dos Santos, moradora da Merindiba, comunidade localizada junto a um ponto turístico do Rio, a Igreja da Penha, A comunidade também convive com os conflitos entre o tráfico e a polícia.
 
Maria do Socorro destaca as melhorias que ela também quer para o local onde mora:

– Escola, uma boa creche, um parque descente para os nossos filhos brincarem. Do lado de lá vai ter, e nós ficamos sem nada, reivindica.
 
O líder comunitário Jorge Ribeiro faz coro e protesta pela falta de atenção.

– A gente lamenta esse fato, de uns com muito e outros com nada. Mais uma vez, o povo aqui do complexo ficou decepcionado. A comunidade está completamente abandonada pelo poder público, lamenta o líder comunitário.
 
Entre os motivos que irritam Ribeiro, está o teleférico que será construído no Alemão. Ele diz que o dinheiro poderia ser investido nas favelas da Penha.

– Isso é uma fantasia. Nós temos que ver a realidade, tem muitas vielas aqui, valas negras e casas infestadas de mosquito da dengue. A gente lamenta, conclui.
 
Para o presidente da Associação dos Moradores da Merindiba, Luís Cláudio dos Santos, a não-realização das obras e as constantes ações da polícia acabaram causando revolta nos moradores.
 
As barricadas são uma forma de proteção dos traficantes que dominam o local contra facções rivais e as operações da polícia. Na parte interna da Merindiba, a vigilância é feita por traficantes, a maioria jovens com pouco mais de 18 anos, que ficam armados em torno das bocas de fumo ou circulam em motos, armados de fuzis.
 
Segundo a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, do Ministério das Cidades, os critérios de seleção das comunidades que receberiam as obras do PAC foram decididos em conjunto com as prefeituras e os governos estaduais, levando em conta os indicadores sociais mais desfavoráveis.

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