O emprego na indústria também caiu: 0,6% na comparação com março. A massa salarial encolheu 0,4% em abril, na série livre de influências sazonais. Somente o rendimento do trabalhador teve alta pelo segundo mês consecutivo
Por Redação - de Brasília
O faturamento da indústria caiu 3,1% em abril, revertendo o crescimento registrado em março, de acordo com a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quinta-feira, em Brasília. Essa queda é na comparação com março. Em relação a abril de 2016, houve retração de 9,9%.
O emprego também caiu: 0,6% na comparação com março. A massa salarial encolheu 0,4% em abril, na série livre de influências sazonais. Somente o rendimento do trabalhador teve alta pelo segundo mês consecutivo. O indicador, que cresceu 0,5% entre março e abril, foi influenciado pelo recuo acentuado da inflação nos últimos meses, explicou a CNI.
As horas trabalhadas na indústria recuaram 1,3% em abril na comparação com março. Além disso, o setor operou, em média, com 76,7% da capacidade instalada em abril, queda de 0,5 ponto percentual.
Indicadores do quadrimestre
Todos os indicadores do primeiro quadrimestre acusaram queda na comparação com o mesmo período de 2016. O faturamento ficou 7,8% menor e as horas trabalhadas 4% abaixo do verificado no primeiro quadrimestre de 2016.
Já a utilização média da capacidade instalada foi 0,7 ponto percentual menor nos primeiros quatro meses deste ano do que em igual período de 2016.
O emprego teve redução de 4,3%. A massa salarial real acumulada no primeiro quadrimestre de 2017 é 4,8% inferior e o rendimento médio está 0,5% abaixo do registrado nos primeiros quatro meses de 2016.
Ações em bolsa
Diante deste cenário de dificuldades nas principais indústrias, com ações na Bolsa de Valores, o principal índice da Bovespa operava no azul nesta quinta-feira, buscando uma recuperação após cair quase 2% na véspera e de olho na economia do país, que confirmou as expectativas e cresceu no primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2016.
Indústria pressionada
O cenário político, contudo, ainda desperta cautela. Às 11:26, o Ibovespa subia 0,67%, a 63.130 pontos. O giro financeiro era de R$ 1,4 bilhão.
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1% no primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2016, em linha com expectativa do mercado segundo pesquisa Reuters. Já na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB encolheu 0,4%.
Para analistas da corretora Lerosa Investimentos, os números são positivos, mas não o suficiente para "se comemorar com entusiasmo", uma vez que já eram esperados e com os receios em torno do cenário político ainda elevados.
Juros em queda
O governo segue tentando mostrar normalidade na condução da agenda no Legislativo desde a crise que atingiu o Planalto, após denúncias contra o presidente Michel Temer. Essa expectativa por andamento nas reformas tem amparado alguma tentativa de recuperação do Ibovespa, embora operadores destaquem que ainda é preciso mais clareza sobre a situação política para que o índice retome um viés claro de alta.
Na véspera, o Banco Central também confirmou as expectativas do mercado e cortou a selic em mais 1 ponto percentual. Caiu para 10,25% ao ano, mas indicou uma desaceleração no ritmo, em meio à crise política.
O tom positivo nesta sessão ainda era amparado pelo desempenho favorável em Wall Street. A Bolsa de Nova York, subia na esteira de dados melhores do que o esperado do emprego no setor privado.