Avanço neoliberal
A luta contra os direitos dos trabalhadores, pela desregulação de setores com algum controle social e em defesa do livre mercado, como manda o figurino neoliberal, continua forte na mídia empresarial. Artigo da revista Consultor Jurídico combate a redução da jornada de trabalho com a seguinte argumentação: “Quanto mais tivermos leis estatais, mais tivermos um direito inflexível alheio à realidade social e econômica, como a PEC 231, mais geraremos empregos em outras partes do mundo. Isso é globalização”.
Unidade capitalista
Porta-voz dos grandes frigoríficos exportadores de carne, o economista Roberto Giannetti da Fonseca elogiou, em artigo na Folha de S. Paulo, o empenho das senadoras Ideli Salvati (PT-SC) e Lucia Vania (PSDB-GO) pela aprovação da MP 460 no Senado. A tal medida anistia antiga dívida tributária das empresas do setor com a União e os estados. Mais um presentão dos cofres públicos ao empresariado!
Realidade brasileira
Após a Justiça Federal aceitar nova denúncia contra o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, a questão é pertinente: Afinal, quantas vezes um banqueiro precisa ser condenado, no Brasil, para ser colocado na cadeia? Dantas já foi condenado a 10 anos por tentativa de suborno; agora é acusado formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. É pouco?
Justiça decidida
Pela terceira vez consecutiva, de 2007 para cá, o ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, foi condenado pela justiça de seu país: por abuso de poder, por violação de direitos humanos e, agora, por peculato – o desvio de 15 milhões de dólares dos cofres públicos. Ele já está cumprindo a pena de 25 anos de prisão. E olha que o Peru não é nenhum exemplo avançado de sociedade transparente e democrática!
Poder empresarial
Apesar das diferentes versões que circularam sobre a demissão da secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, há duas semanas, já se sabe que o motivo principal tem mesmo a ver com a cobrança de imposto e multa dos grandes grupos empresariais nacionais e estrangeiros, os quais contam com lobbie fortíssimo no primeiro escalão do governo, entre os quais o Gerdau, Votorantim, Ford e Santander.
Rebaixamento salarial
A Constituição assegura salário igual para trabalho igual. No entanto, o próprio Tribunal Superior do Trabalho acaba de quebrar a isonomia prevista na lei para permitir que dois trabalhadores que realizem o mesmo trabalho recebam salários diferentes. O TST autorizou a Caixa Econômica Federal a pagar menos aos seus funcionários de agências menores, gerando disparidade na própria empresa estatal.
Muro governista - 1
A passeata organizada pela UNE, dia 16, em Brasília, em cima da campanha “O petróleo tem que ser nosso”, foi mais um lance na grande batalha que está sendo travada entre privatistas e estatistas. De um lado, a direita fustiga a Petrobras com a CPI e ataques pela mídia; de outro lado, os trabalhadores defendem a estatização de 100% da empresa; a questão de fundo é quem vai lucrar com a exploração do petróleo no pré-sal.
Muro governista - 2
Tratado como segredo de estado, o novo marco regulatório para a exploração do pre-sal procura combinar a participação da Petrobras nas novas jazidas com a participação de capital privado nacional e estrangeiro, de maneira a contentar gregos e troianos. Nada de nacionalização ou de estatização. Mesmo porque boa parte do lucro da empresa atualmente vai para os fundos de investimentos estrangeiros.
Reflexão necessária
Frase do professor Gigi Roggero, da Universidade da Calábria, Itália, em entrevista para o Instituto Humanitas Unisinos: “A crise é, de fato, um processo profundamente ambivalente, no qual convivem extraordinárias oportunidades e inquietantes riscos, instâncias de transformação e lutas sociais com crescentes formas de racismo e reação”.