Faroeste privado
Ficam a cada dia pior os serviços prestados pelas empresas telefônicas, seja com cobrança indevida da banda larga na internet, seja com desrespeito total às normas de migração e portabilidade baixadas pelo governo federal. A própria Anatel reconhece que o atendimento dos usuários continua precário e cheio de problemas. Afinal, quem vai obrigar a empresa espanhola Telefonica a cumprir as leis no Brasil?
Precarização total
Estudos realizados sobre a precarização do trabalho no Brasil e no mundo indicam que uma das áreas de maior exploração do trabalhador é a das empresas terceirizadas de telemarketing e de atendimento de clientes. Com uma diferença, o trabalhador brasileiro recebe em média 11 vezes menos do que a remuneração do trabalhador dos Estados Unidos.
As multinacionais deitam e rolam aqui no Brasil.
Brasil injusto
Relatório recente da Organização Internacional do Trabalho sobre a situação do trabalho escravo no Brasil, destaca a ação do Ministério do Trabalho, que, desde 1995, libertou 30 mil pessoas em condição de escravidão. No entanto, afirma que o país deixa a desejar na aplicação de penalidades aos infratores. Existe registro de apenas uma condenação, com pena de prisão, para explorador de trabalho escravo.
Confraria tucana
Sócio da Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas Diamantino, no Mato Grosso, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, conseguiu aprovar o curso de Direito daquela instituição, em 2000, apesar do parecer contrário da Ordem dos Advogados do Brasil. O então ministro da Educação Paulo Renato ignorou o veto da OAB. Agora o curso pode ser fechado devido à péssima qualidade.
Violência mineira
Até agora a Justiça de Minas Gerais nada fez aos fazendeiros Mario Nacimento e Geraldo Ângelo de Oliveira, que, na madrugada de 26 de abril, invadiram o acampamento de sem-terra na Fazenda Capão Muniz, no município de Rio Pardo de Minas, junto com mais vinte capangas, e espancaram com violência as 33 famílias acampadas que aguardam decisão sobre a reforma agrária.
O crime continua impune.
Vandalismo puro
Parece história da idade da pedra, mas não é: O prefeito de São Gabriel, Rossano Gonçalves, no Rio Grande do Sul, mandou derrubar na semana passada o monumento dedicado a Sepé Tiaraju, o líder indígena guarani assassinado por soldados da Espanha e Portugal em 7 de fevereiro de 1756. O monumento representava a luta dos Sete Povos das Missões, arrasados pelos colonizadores.
Nada mudou.
Crimes impunes
Três anos depois dos “Crimes de Maio” de 2006, quando a polícia de São Paulo e grupos de extermínio constituídos por policiais assassinaram 493 pessoas, nada foi apurado e ninguém foi condenado. O Conselho Regional de Medicina fez perícia nos corpos executados à queima roupa. Os familiares das vítimas clamam por Justiça. O Judiciário paulista continua em silêncio absoluto.
Ação terrorista
Os bombardeios das forças armadas dos Estados Unidos mataram, nos últimos dias, pelo menos 150 civis no Afeganistão, inclusive crianças órfãs de uma creche. Quatro meses depois da mudança de governo, fica cada vez mais difícil dizer que o presidente Barack Obama seja diferente do presidente George W. Bush. As corporações estadunidenses não resistiriam viver num mundo sem guerras.
Agenda neoliberal
Apesar da crise econômica, a agenda do neoliberalismo continua firme e forte na aplicação dos 10 pontos do Consenso de Washington. Está na ordem do dia a privatização de estradas, portos, aero-portos, educação e saúde. O governo José Serrá, do PSDB, deverá entregar para empresas privadas a exploração das principais rodovias de ligação com o litoral norte paulista – o maior filé do Estado.