Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Fatos em Foco - Com Hamilton Octavio de Souza

Terça, 07 de Abril de 2009 às 09:25, por: CdB

Paraíso banido
O G20 decidiu aumentar a fiscalização dos paraísos financeiros, nome dado aos países que facilitam a movimentação de capitais sem identificar os proprietários e a origem do dinheiro, seja fruto de crime ou não. Só falta agora o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, deixar que a polícia e a justiça consigam investigar, processar, condenar e punir os “banqueiros” e outros operadores brasileiros em paraísos fiscais.

Evasão punida
Acordo do governo dos Estados Unidos com o banco suíço UBS permite àquele país identificar clientes que desviaram recursos públicos e da sociedade, sonegaram impostos e enriqueceram ilicitamente. Lá, as prisões já começaram. Ao todo serão investigados 52 mil cidadãos que fizeram depósitos nas contas do UBS na Suíça e outros países.
Aqui o Banco Central e a Receita Federal não estão nem aí.

Bode expiatório
Primeiro, nos anos 90, as agências internacionais – FMI, Banco Mundial, BID, OMC – impuseram o modelo neoliberal aos países da América Latina, com consequências danosas para os trabalhadores (aumento do desemprego, perda de direitos e rebaixamento salarial). Agora, com a crise do modelo, o BID prevê que 12 milhões de trabalhadores perderão o emprego na região.
Quem paga sempre?

Papel estatal
O pensador marxista britânico David Harvey afirmou ao IHU Online: "Sou a favor de estabilizar o capitalismo através de medidas keynesianas que se transformem em possibilidades marxistas. Um colapso do capitalismo sem nenhuma alternativa pronta para tomar seu lugar causará miséria e sofrimento incalculável para a massa da população, enquanto que a classe capitalista escapará relativamente incólume".

Futuro sombrio
O pensador marxista estadunidense James Petras alerta: “O Brasil será profundamente afetado pela crise financeira. Sei que o país tem mais de US$ 250 bilhões em reservas, mas elas acabarão sendo gastas. O financiamento da falta de liquidez não é uma solução ao longo prazo, nem uma solução estrutural; é simplesmente ficar injetando dinheiro para protelar o colapso iminente da economia”.

Crime oficial
Militante da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, José Luís da Silva teve a sua casa invadida por policiais militares na manhã de 1º de abril, em Acari, no Rio de Janeiro. Não havia ninguém na residência, mas tudo foi revirado. Pior: José Luís tentou registrar queixa contra os policiais do 9º BPM, mas o delegado do 39º DP se recusou a fazer o BO. Como acabar com a arbitrariedade?

Puro extermínio
Será realizado nos dias 9 e 10 de maio, em São Paulo, o encontro de mães e familiares dos “crimes de maio de 2006”, quando 494 pessoas foram executadas – pela polícia e por grupos de extermínio – no Estado de São Paulo, logo após os ataques atribuídos à organização criminosa PCC. Esses casos de execução, na maioria de jovens e negros da periferia, jamais foram investigados e levados à Justiça.

Independência
Os partidos de esquerda que dão sustentação ao presidente Fernando Lugo, do Paraguai, continuam apostando na mobilização popular para acelerar as transformações sociais. Dia 2 de abril, uma nota assinada pelo Partido do Movimento ao Socialismo, Partido Popular Tekojoja, Partido Convergência Popular Socialista e Partido Comunista Paraguaio criticou as autoridades que tentam criminalizar o movimento camponês.
Nada de oficialismo!

Ego vaidoso
Tempos atrás, num encontro internacional, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, na hora da foto, apoiou as duas mãos, por trás, nos ombros do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A foto serviu como prova da intimidade entre os dois e da docilidade de FHC diante do poderoso presidente dos Estados Unidos. No último encontro do G20, Barack Obama também explorou a vaidade dos interlocutores.
Muito esperto!

Tags:
Edições digital e impressa