A facção Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, venceu as eleições municipais palestinas, mas o Hamas, que se opõe ao processo de paz com Israel, mostrou que tem cada vez mais força política.
Os resultados extra-oficiais divulgados nesta sexta-feira mostraram que o Hamas obteve boa votação em centros urbanos importantes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, o que indica que o grupo pode ir bem também nas eleições parlamentares de meados deste ano, complicando os esforços pacificadores de Abbas.
A Fatah obteve o controle de 52 das 84 câmaras municipais em disputa. O Hamas vai dominar 24 câmaras. Facções menores controlarão quatro, e outras quatro estão indefinidas. Os dados são da Comissão Eleitoral Palestina. O Hamas contestou esses resultados e disse ter vencido em 34 municípios.
Segundo Mahmoud al- Zahar, líder do grupo em Gaza, a discrepância ocorre porque muitos candidatos eleitos como independentes na Cisjordânia na verdade são militantes do Hamas, que ocultaram a ligação durante a campanha por motivos de segurança.
A eleição foi disputada em meio a um frágil cessar-fogo com Israel, declarado por Abbas há três meses como primeiro passo para a eventual retomada do processo de paz.
A Fatah, que foi fundada pelo falecido Yasser Arafat e sempre dominou a política local, vê sua popularidade decair devido a suspeitas de corrupção e incompetência administrativa. A facção defende a co-existência pacífica com Israel.
O Hamas, que boicotou eleições anteriores, ganhou credibilidade nas ruas por causa da sua luta contra Israel e de suas ações religiosas e benemerentes. O grupo defende a destruição do Estado judaico.
Autoridades da Fatah não demonstraram abatimento com o resultado eleitoral, na esperança de que ele ajude Abbas a cumprir as reformas política e de segurança exigidas por Washington e por Israel.
- Os resultados preliminares asseguram ao povo palestino que a Fatah continua sendo a facção mais forte e influente - disse Jibril Rajoub, assessor de segurança de Abbas.
Mas alguns membros da facção admitem o temor de que o Hamas seja uma ameaça nas eleições parlamentares de julho, que, segundo uma fonte de primeiro escalão, podem ser adiadas devido a uma polêmica sobre alterações na lei eleitoral, que alguns consideram que podem ajudar o Hamas.
O grupo islâmico vai controlar o governo de várias cidades importantes, como Rafah, Beit Lahiya e Bureij, na Faixa de Gaza, e Qalqilya, na Cisjordânia.
Os resultados oficiais só devem ser divulgados na noite de sábado ou na manhã de domingo. Mais de 2.500 candidatos participaram da disputa, e o comparecimento do eleitorado foi elevado - 80% na Faixa de Gaza e 70% na Cisjordânia, segundo as autoridades. Havia 400 mil palestinos aptos a votar.