Os palestinos votaram na quinta-feira em uma eleição municipal que opõe a facção Fatah, manchada pela corrupção e ligada ao presidente Mahmoud Abbas, ao grupo militante islâmico Hamas, que tem cada vez mais influência.
Mais de 2.500 candidatos disputam 84 vagas de vereador na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A votação pode servir de termômetro para a popularidade das reformas políticas e de segurança promovidas por Abbas.
- Acho que esta eleição é como um referendo sobre as políticas de Abu Mazen - disse o eleitor Amal Salahat, de Belém (Cisjordânia), referindo-se ao popular codinome do presidente.
O resultado também indicará as chances da Fatah e do Hamas nas eleições parlamentares de julho, nas quais Abbas precisa de um desempenho sólido do seu partido para fortalecer-se nas negociações de paz com Israel.
Cerca de 400 mil palestinos têm direito a voto. Até metade da manhã, o comparecimento havia sido de apenas 20%.
O clima de festa ficou por conta dos militantes que agitavam bandeiras - amarela para a Fatah, verde para o Hamas, preta para a Jihad Islâmica e vermelha para partidos de esquerda - e armavam barracas para fazer a campanha.
Embora o Hamas tenha aceitado uma trégua, o grupo promete a destruição de Israel. Se o partido for bem agora e nas eleições parlamentares, Abbas terá problemas para cumprir sua agenda diplomática.
O clima voltou a ficar tenso na quarta-feira, quando soldados israelenses mataram dois manifestantes palestinos adolescentes e o governo israelense adiou por tempo indeterminado a desocupação militar de algumas cidades da Cisjordânia, citando a demora de Abbas em desarmar os militantes.
Analistas esperam eleições municipais acirradas. A Fatah, abalada por suspeitas de corrupção, desordem e isolamento, tenta se recuperar da derrota que sofreu para o Hamas em janeiro, numa rodada de votações em 10 municípios de Gaza.
O Hamas também teve um bom resultado na eleição de 26 câmaras de vereadores da Cisjordânia em dezembro, embora a Fatah tenha elegido mais parlamentares locais.
O Hamas, que até então boicotava eleições, conquistou popularidade graças à sua luta contra Israel e seu trabalho de caridade, que em muitos casos substitui as funções da precária Autoridade Palestina, que está nas mãos da Fatah.
- Parceiros de sangue, parceiros de decisão - é o slogan dos candidatos do grupo. Alguns eleitores dizem querer a formação de uma coalizão, após décadas de domínio da Fatah.
- Prefiro que duas facções ao invés de uma estejam no cargo, pelo bem do equilíbrio. As pessoas querem que a nova Câmara acabe com a corrupção e se livre de funcionários desqualificados afirmou Khalil Al Ashqar, 51, que votou em Beit Lahiya, norte de Gaza.
- Votei no Hamas porque eles estão preocupados em mudar para aliviar o nosso sofrimento. A atual Câmara (dominada pela Fatah) não faz nada - disse Hala Al Nuashar, em Rafah (sul da Faixa de Gaza).
Uma recente pesquisa mostrou que o apoio à Fatah caiu de 40%, no final do ano passado, para 36%, em março, numa tendência de queda que já vinha sendo registrada. O apoio ao Hamas cresceu de 18% para 25%.
Desde que foi eleito para suceder ao falecido Yasser Arafat, em janeiro, Abbas vem tomando medidas para eliminar a corrupção e a incompetência na Autoridade Palestina. Mas há poucos resultados concretos.