Uma moda cautelosa e contida, porém correta. Essa foi a opinião dos especialistas que acompanharam o Fashion Rio, que terminou na noite de domingo, após uma maratona de seis dias que exibiu desfiles de primavera-verão de 40 grifes na Marina da Glória.
- Vimos uma moda correta e equilibrada. Não houve nenhuma ruptura, mas ninguém esperava mesmo por isso - disse a consultora de moda Gloria Kalil.
- Não estamos em um momento de grandes expansões da indústria, as dificuldades econômicas do país continuam as mesmas. Não é hora de grandes experimentalismos - ressaltou.
Para Chiara Gadaleta Klajmic, que assinou o estilo de duas grifes do Fashion Rio, a hora é das marcas se concentrarem em seus públicos e exercerem uma "criatividade específica", aliada ao bom faro comercial.
- Achei tudo bem contido, bem comercial, todo mundo preocupado com as vendas, o que no fundo é certo, não é uma crítica negativa - disse Chiara, dona da grife Tarântula.
Segundo ela, o fato de as empresas estarem focadas em seu cliente faz com que o mercado se movimente, gerando o capital necessário para desfiles melhores, contratação de profissionais mais especializados e capricho nas campanhas.
- Aí o nível vai subindo - afirma.
- Estamos no caminho certo. Claro que uma hora vamos achar meio chato porque é muito comercial. Mas com cada um preocupado com o seu, estamos colaborando para que o mercado todo cresça, se desenvolva - disse.
Lilian Pacce, editora de moda e apresentadora de TV, concorda que a semana de moda do Rio de Janeiro possui um lado mais comercial, "de às vezes surpreender pouco", mas citou os desfiles da Salinas (moda praia) e da Theodora (estreante no evento) como exemplos de bom equilíbrio com a criatividade.
<b>MACAQUINHOS, BIQUÍNIS LARGOS E LISTRAS</b>
Entre as tendências apresentadas nas novas coleções, Lilian acredita que o tempo dos vestidos compridos chegou ao fim.
- Acabou o vestidão, aquele que a (personagem) Vitória da (novela) 'Belíssima' tanto usa. Os vestidos agora são mais curtos - disse.
O macaquinho, apontado como hit do verão 2007, apareceu em diversos estilos, seja como tomara-que-caia (Nina Becker), de mangas compridas (TNG) ou tipo jardineira (Permanente).
Para Chiara, a peça é uma variação natural do shorts, além de ser confortável e a cara do verão.
- Para não fazer mais o shorts, que apareceu muito na temporada passada, a gente faz o macaquinho. Temos que embalar de uma forma diferente uma coleção que, no fundo, precisa ser muito parecida com aquela que foi vendida - explicou.
A estamparia também teve lugar de destaque nas novas criações, com muitos motivos africanos e listras. A estampa estilo vichy, um quadriculado pequeno em preto e branco, também reinou na passarela, como nos desfiles da Lucy in the Sky, Sta. Ephigênia, Elisa Chanan, Permanente e outros.
Para Gloria Kalil, "tudo foi absolutamente dentro das tendências internacionais". Ela cita como exemplos o uso do branco como a cor da estação, a volta do verniz em sapatos e cintos e o balonê - desenho arredondado - em shorts, saias, vestidos e mangas.
Na moda praia, haja tecido. A parte debaixo dos biquínis veio ampla em quase todas as marcas de beachwear, como a estreante Zil, Lenny e Salinas. A Blue Man e a estilista Luiza Bonadiman trouxeram variações diferentes do maiô, como um drapeado com cara de macaquinho e um outro com bolsos, respectivamente.
- Achei curioso os biquínis bem maiores e as inovações nos maiô - disse Gloria.
- Mas não sei se as pessoas vão adotar isso (biquínis maiores) porque no Brasil as pessoas já sabem bem os (modelos) que vestem melhor - conclui.