É difícil imaginar o retorno absoluto do velho nazifascismo. Isto implicaria na existência de ideologias concretas e totalizantes capazes de convencer a muita gente de suas verdades e certezas e de condições históricas propícias. O nacionalismo belicista fascista, na sua integralidade, não é mais possível, bem como a defesa nua e crua da idéia do direito de algumas nações dominarem o mundo pela força de suas armas, invadindo e impondo suas leis. Quando assim procedem, precisam encontrar uma justificativa plausível e convencer a todos de que não havia outra alternativa. Não se pode mais apenas invadir em nome de uma teoria do espaço vital. Tem-se que apresentar provas, mesmo que falsas, que o inimigo é poderoso e capaz de causar danos graves à espécie.
Não há mais como reduzir a política a um só partido, que doutrina as consciências e impede a livre organização de sua oposição. Os preconceitos raciais, a xenofobia, a homofobia, o sexismo e o ódio à inteligência não podem mais ser claramente assumidos pelos Estados nacionais, sob pena do isolamento político e diplomático. Não há mais como, de modo nítido, condenar alguém por delito de opinião, sem criar um escândalo internacional. Não é que isto não possa ser feito. Mas o modus operandi é outro, bem mais sofisticado.
Dentre as formas mais recentes deste tipo de governo, registram-se as ditaduras militares latino-americanas, que já desapareceram na curva da história, apesar de parecer que foi ontem, tal o pesadelo. Estão cada vez mais longínquos os fatos terríveis da Segunda Grande Guerra. Ela já não é mais uma referência para as novas gerações. O franquismo e o salazarismo se desfizeram com o tempo. Infelizmente, foram duradouros - quase meio século - e podres, desde a origem. Os coronéis não dominam mais a Grécia. As marcas deste passado, por vezes bem recente, estão aí para quem quiser enxergá-las.
Os partidos políticos claramente fascistas não podem mais se apresentar deste modo. Os simpatizantes do mesmo credo foram obrigados a se reciclar, 'escondendo' suas origens. Alguns poucos, dos quais muitos são apenas ignorantes e idiotizados, continuam usando a suástica, comemorando o aniversário de Hitler etc. Outros se mantêm em silêncio ou se confessam para os mais íntimos, em círculos fechados. Usam dos mesmos signos, dizendo que estão falando de novas situações. No Brasil, não há quem tenha a coragem de se vestir de verde e proferir a saudação integralista: Anauê. Possivelmente, seriam confundidos com personagens do carnaval e, certamente, não seriam levados a sério. Os integralistas ainda vivos e seus sucessores defendem algumas das mesmas idéias de seus líderes, mas negam publicamente suas filiações.
Com imensa razão alguns, ao ler este texto, lembrarão do fascismo vermelho, do stalinismo e de outras doutrinas e práticas políticas que se assemelharam ao fascismo branco e ocidental. É verdadeiro que o chamado 'socialismo real' derivou em várias oportunidades para formas autoritárias de governo, bastante semelhantes ao nazifascismo. Tais concepções se irradiaram nos tecidos sociais de inúmeros países, deixando marcas indeléveis. Defender o fascismo vermelho, depois de tudo que se sabe sobre a história do Leste, é algo que só se pode creditar a algum tipo de religiosidade, ignorância ou má-fé.
O ideal democrático socialista terá que conviver com a 'mancha' dos crimes do stalinismo e de tantos outros casos ocorridos nos países que adotaram suas teorias e práticas. Para se diferenciar, sempre é bom lembrar desses fatos, jamais escondê-los ou negá-los. Entretanto, não se pode também esquecer que o fascismo branco fez muito mais vítimas e causou as maiores catástrofes histórico-sociais do século XX. A Segunda Grande Guerra, por exemplo, foi gestada no Eixo - Berlim, Roma e Tóquio. Os países liberais e a velha URSS tiveram que se defender da agressão externa. Em alguns dos países, onde o comunismo recentemente foi varrido, o fascismo branco ganh