O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello, informou nesta quarta-feira que, dentro de no máximo 45 dias, o consumidor encontrará as primeiras farmácias realizando a venda fracionada de remédios. Para isso, as farmácias deverão se credenciar na vigilância sanitária local, recebendo autorização para a venda mediante um selo de identificação.
Antes do credenciamento, as farmácias serão submetidas a uma rígida inspeção que irá verificar o cumprimento de algumas regras, que constam no documento da Anvisa apresentado para consulta pública. Uma das exigências é a existência de uma área específica para o fracionamento dos medicamentos, o que só poderá ser feito por um profissional farmacêutico inscrito no Conselho Federal de Farmácia.
Poderão ser fracionados medicamentos na forma de frasco-ampolas, ampolas, seringas preenchidas, flaconetes, comprimidos, drágeas, óvulos vaginais e supositórios. Para comprar o remédio fracionado, o consumidor deverá apresentar a receita do médico ou do dentista, que será devolvida ao usuário com carimbo e assinatura do farmacêutico com declaração de que o remédio foi entregue. O medicamento fracionado deverá ser acompanhado de uma bula para cada paciente.
A professora aposentada Lúcia Pacífico, do Movimento Nacional das Donas de Casa, disse que é definitivamente favorável à medida.
- Quando se trata de substituir qualquer produto por causa do preço, como o tomate, é até fácil, mas com medicamentos não dá. Vejo com muito bons olhos essa questão do fracionamento, até porque com a renda média do brasileiro muitas vezes não dá para comprar a cartela inteira. Muitas vezes o medicamento não dá certo, e existe também a questão da sobra - afirmou.
Durante audiência pública sobre a venda fracionada de remédios, realizada nesta quarta-feira, em Brasília, Lúcia sugeriu a realização de uma campanha informativa para esclarecer os usuários de medicamentos sobre a venda fracionada. O representante da Anvisa respondeu que o assunto já está sendo discutido no âmbito do Ministério da Saúde.
O deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), membro da Frente Parlamentar de Saúde, elogiou a iniciativa do debate público e disse que sua posição pessoal é de absoluta concordância com a política de fracionamento.
- Aqui está a grande política de gestão pública para combater de maneira consistente o desperdício de medicamentos - afirmou.
Encerrado o prazo para consulta pública e a audiência pública realizada hoje, um grupo de trabalho da Anvisa consolidará as sugestões encaminhadas e redigirá o texto final do regulamento, que será submetido a aprovação do Ministério da Saúde. Se for aceito, a comercialização avulsa de medicamentos poderá ser iniciada imediatamente, mediante o credenciamento das farmácias. No Brasil, alguns analgésicos e antitérmicos de uso comum já são vendidos em unidades ou cartelas com menos comprimidos.
Farmácias terão selo identificador para venda de remédios fracionados
Quarta, 13 de Abril de 2005 às 13:04, por: CdB