Farc retoma atividades da guerrilha em batalha com nove mortos
Uma tentativa de ataque das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a um posto policial em San Vicente del Caguán, no Departamento (Estado) de Caquetá, no sul colombiano, deixou nove mortos, entre eles cinco guerrilheiros, três militares e um civil.
Uma tentativa de ataque das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a um posto policial em San Vicente del Caguán, no Departamento (Estado) de Caquetá, no sul colombiano, deixou nove mortos, entre eles cinco guerrilheiros, três militares e um civil. A ação teria ocorrido nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira. Segundo relatos da imprensa local, um grupo guerrilheiro tentou invadir o posto policial da cidade, onde a guerrilha mantém forte presença. Soldados da 6ª divisão do Exército teriam reagido ao ataque e houve enfrentamento entre soldados e guerrilheiros.
Além dos nove mortos, outros quatro militares e mais um civil teriam ficado feridos após o tiroteio. Após a tentativa de ataque, o Exército e a Polícia reforçaram sua presença no local. Este enfrentamento ocorre em meio à uma semana tensa, marcada por ataques na cidade de Neiva, no departamento de Huila, onde pelo menos cinco ataques à bomba foram registrados desde domingo passado. O impacto das explosões em Neiva afetou pelo menos 65 pessoas. Não houve mortos.
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos responsabilizou as Farc pelos atentados e disse que são um sinal de "desespero" da guerrilha.
Segundo o governo, os ataques podem ser retaliações da guerrilha contra moradores que teriam se negado a pagar uma espécie de imposto coletado pelo grupo. Em uma mensagem de ano novo dirigida a rebeldes e colaboradores da guerrilha, o mais alto líder das Farc, Alfonso Cano, afirmou que o grupo começa 2011 com a expectativa de uma "solução política para o conflito" armado colombiano, que dura mais de seis décadas e, advertiu, que a guerrilha "redobrará" suas atividades neste ano.
– Em 2011 redobraremos atividades em todo sentido, com a força que nos proporcionam nossas convicções – afirmou Cano, por meio de um comunicado lido por ele, divulgado pela agência de notícias Anncol.
Cano, que assumiu a liderança do grupo depois da morte de Manuel Marulanda, líder fundador das Farc, pediu observar com especial atenção aos projetos de indenização de vítimas do conflito e de restituição de terras do governo de Juan Manuel Santos. Cano afirma que forem levados adiante, poderiam desatar "um processo de reconciliação no país baseado na verdade".
Parapolíticos
O líder das Farc disse que para isso é necessário acabar com "o latifúndio que cresce como um câncer" na Colômbia. Por outro lado, Cano diz duvidar que o atual Congresso colombiano formado por "parapolíticos" esteja interessado em implementar um plano de reforma agrária para restituir terras a camponeses expulsos durante o conflito. As Farc, que defendem um acordo humanitário para a troca de reféns por guerrilheiros presos - dizem começar o ano apostando neste intercâmbio.
Até agora, o governo de Juan Manuel Santos tem apostado na saída militar e não negociada para o conflito. O presidente se recusa a negociar o acordo humanitário e tem apostado na deserção de guerrilheiros para enfraquecer a estrutura militar das Farc, o maior grupo armado colombiano.
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