As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em comunicado divulgado nesta sexta-feira, disse que a libertação unilateral de duas reféns é uma esperança e um primeiro passo rumo à paz na Colômbia, para pôr fim ao prolongado conflito de mais de quatro décadas no país. A guerrilha entregou, na tarde desta quinta-feira, a uma missão liderada pela Venezuela, as políticas Clara Rojas e Consuelo González.
"Demos este primeiro passo...que convida a se pensar na possibilidade de paz na Colômbia", afirmou o grupo, em comunicado divulgado pela Agência Bolivariana de Imprensa.
As Farc agradeceram à colaboração do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a quem entregaram Rojas e González como ato de desagravo, depois que o presidente colombiano, Alvaro Uribe, suspendeu a mediação dele na libertação de reféns. Entre as mais de 40 pessoas mantidas em cativeiro pelas Farc na Colômbia estão a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt e três norte-americanos.
Segundo as Farc, os esforços têm que se concentrar em convencer o governo Uribe a retirar o Exército e a polícia de uma zona montanhosa de 780 km quadrados, para que delegados das duas partes se reúnam e negociem um acordo. A guerrilha quer trocar os reféns por 500 rebeldes presos pelo governo. O governo Uribe, que com o apoio dos Estados Unidos lidera uma agressiva estratégia militar contra a guerrilha, nega-se a desmilitarizar a zona apontada pelos rebeldes.
Novos rumos
Em um pronunciamento nesta quinta-feira, Uribe pediu à guerrilha que considere uma negociação direta, ágil e de boa fé para que mais de 700 pessoas que ainda estão seqüestradas também ganhem a liberdade. O presidente colombiano leu os nomes de 33 soldados e policiais, três norte-americanos e oito dirigentes políticos ainda em poder dos rebeldes. Entre eles está a ex-candidata presidencial Ingrid Bettancourt.
Segundo o jornal colombiano El Tiempo, Uribe voltou a insistir que mantém sua proposta de estabelecer uma zona de encontro com as Farc, sob a intermediação da Igreja Católica, para que se discuta um possível acordo humanitário.
- Queremos avançar no processo que conduza à libertação de todos os seqüestrados. Nós daremos garantias - disse o presidente.
Agradecimento Apesar dos enfrentamentos que teve com o presidente venezuelano Hugo Chávez, Uribe agradeceu sua mediação nas negociações que terminaram com a libertação das reféns. Uribe disse ter falado por telefone com as duas ex-reféns, que depois de libertadas foram recebidas por Chávez no Palácio Miraflores, em Caracas.