As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enviaram um vídeo e uma fita cassete com testemunhos de 27 membros da polícia e cinco políticos que estão sendo mantidos pela guerrilha como reféns no sul da Colômbia, anunciaram nesta sexta-feira em Bogotá fontes humanitárias e jornalistas.
A presidente da Associação Colombiana de Familiares de Membros da Força Pública Retidos pela Guerrilha (Asfamipaz), Marleny Orjuela, disse que essas provas são as primeiras em dezoito meses recebidas dos policiais e, também de alguns dos políticos.
— Isso nos dá moral para seguir na luta por sua libertação — afirmou a porta-voz da organização não-governamental (ONG), criada há cinco anos, quando os rebeldes tinham como reféns quase 400 membros das Forças Armadas e da Polícia Nacional.
A porta-voz da Asfamipaz disse que, pelos testemunhos dos 32 reféns, todos "estão em bom estado de saúde, mas se sentem muito esquecidos pelo Estado". O vídeo e a gravação foram obtidos pelo jornalista Jorge Enrique Botero, da revista Cromos, que dividiu o conteúdo com a W FM Rádio, de Bogotá.
Botero disse à estação que no último dia 22 de julho foi a um acampamento no qual o chefe militar das Farc, Jorge Briceño Suárez (o "Macaco Jojo"), tinha reunido quase a metade dos policiais, políticos e estrangeiros (três americanos) que essa guerrilha pretende trocar por 500 rebeldes presos.
Os reféns com os quais o jornalista teve contato são 27 oficiais e suboficiais militares e policiais, muitos deles em cativeiro há aproximadamente cinco anos.
Além disso, estavam cinco políticos, entre eles Jorge Eduardo Gechem, cujo seqüestro em 20 de fevereiro do ano passado foi o estopim final da ruptura, nesse mesmo dia, do processo de paz que o governo do então presidente Andrés Pastrana (1998-2002) tinha com as Farc.
Cerca de 200 a 300 guerrilheiros vigiavam o acampamento no qual foram reunidos os reféns, advertiu Botero, que permaneceu por três dias no local.
O jornalista disse que o sobrevôo de aparelhos militares é o que mais temem os reféns, que de forma constante são mudados de acampamento, o que os leva "pelas selvas em extenuantes caminhadas, como uma tribo nômade".
Além de Gechem, entre os políticos estavam o ex-governador do departamento (estado) de Meta Alan Jara, seqüestrado há dois anos nessa região por rebeldes que o retiraram de um veículo da ONU, junto à parlamentar Consuelo Perdomo -escolhida em cativeiro- e os agora ex-parlamentares Gloria Polanco e Orlando Beltrán.
Na fita cassete, o militar refém César Augusto Lasso Monsalve diz que foi seqüestrado "no século passado" (18 de novembro de 1998). A porta-voz da Asfamipaz disse que a única esperança que resta aos cativos e suas famílias é que "a ONU tenha em breve uma aproximação com as Farc", assim como com a Igreja Católica.
Em um comunicado escrito há aproximadamente cinco semanas, o grupo rebelde pediu ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, um encontro para que o organismo escutasse a versão rebelde do conflito armado interno.
O Governo do presidente Álvaro Uribe deixou nas mãos da ONU, mediante os "bons ofícios" que o organismo aceitou exercer no país, as gestões para o acordo humanitário, pelo qual as Farc libertarão os reféns, entre os quais também está a ex-candidata presidencial independente Ingrid Betancourt.
Farc enviam vídeo como prova de vida de 27 militares e cinco políticos
Sexta, 15 de Agosto de 2003 às 13:39, por: CdB