Nesta quarta-feira, mesmo dia em que quatro reféns foram libertados, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ameaçaram o governo do Panamá de iniciar uma campanha de seqüestros e ataques ao país caso o governo não liberte até o dia 1º de março seis combatentes do grupo capturados no fim de semana passado.
- Se isto não se cumprir, temos instruções de fazer reféns... Membros da polícia nacional, funcionários ou políticos locais, a fim de forçar um intercâmbio. Para isto, tenho autorização de utilizar a força, a equipe e as ações necessárias - afirmou um comandante guerrilheiro identificado como Bercerro.
É a primeira vez na história recente que as Farc ameaçam atacar um país vizinho.
O governo do Panamá afirmou que não comentará o assunto neste momento.
Libertação unilateral
Os guerrilheiros afirmaram também que os quatro ex-congressistas colombianos soltos na última quarta-feira poderiam ser os últimos reféns que as Farc libertarão de maneira unilateral, antes que as regras de um novo acordo humanitário sejam estabelecidas.
Imediatamente após a entrega dos reféns, mantidos em cativeiro durante seis anos, as Farc emitiram um comunicado reiterando a exigência de que o governo colombiano realize uma retirada militar em uma zona que abrange 750 km2 para que um acordo humanitário seja firmado.
"Esta libertação é a mais contundente manifestação de que pode mais a humanidade que a intransigência", disse, em nota, o grupo rebelde. "Agora deve se seguir o esvaziamento militar (dos municípios) de Pradera e Florida por 45 dias, com presença guerrilheira e da comunidade internacional, para pactuar com o governo nesse espaço a libertação dos guerrilheiros e dos prisioneiros de guerra em poder das Farc."
O presidente Álvaro Uribe se nega a retirar as tropas dessa área. Ele recebe apoio militar dos EUA e é popular junto aos setores mais conservadors da população colombiana graças à linha-dura contra a guerrilha. Ele argumenta que os rebeldes tentariam tirar partido militar de uma zona estratégica e submeter a população civil que ali vive.
A retirada militar é o principal ponto de controvérsia entre o governo de Álvaro Uribe e a guerrilha.
Libertação
Os ex-congressistas Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán e Luis Eduardo Gechem, libertados nesta quarta-feira, integram um grupo de 44 reféns que as Farc consideram passíveis de troca por guerrilheiros presos, dentro do previsto em um acordo humanitário. No grupo também está incluída a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt.
Após seis anos de cativeiro na selva colombiana, os ex-congressistas foram recebidos por seus familiares, que os aguardavam com flores e lágrimas, no aeroporto internacional de Caracas.
- Vocês não imaginam o horror de ter vivido em condições sub-humanas durante este tempo todo, estou voltando à vida (...). Vamos fazer o que estiver em nosso alcance para libertar a todos - disse Luis Eladio Perez em uma conversa telefônica com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.
O ex-congressista disse que a situação da ex-candidata a presidência da Colômbia Ingrid Betancourt é muito difícil e chamou a comunidade internacional a redobrar os esforços para libertá-la.
Pérez acrescentou que a ex-candidata tem problemas físicos e sofre maus-tratos daqueles que a mantém em cativeiro, enquanto permanece presa em condições "subumanas". Os ex-reféns também afirmaram que a política sofre de uma reincidente hepatite B.
Sarkozy
Nesta quinta-feira, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy afirmou, em entrevista, que quer, pessoalmente, buscar Ingrid Betancourt, na fronteira entre Venezuela e Colômbia. Ele espera que os guerrilheiros concluam as negociações com o governo colombiano nos próximos dias.
- Apelo às Farc para libertá-la imediatamente. É uma