As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) anunciaram por intermédio de seu porta-voz, Raúl Reyes, que a ofensiva militar vai continuar. O governo colombiano quer que os rebeldes abandonem qualquer ataque e se concentrem nas negociações de paz, mas os integrantes das Farc dizem que só aceitam a proposta se o governo também aderir à trégua. Assim, o confronto entre as Farc e o governo colombiano não dá mostras de se abrandar, apesar de os dois lados terem estabelecido abril como prazo para que o cessar-fogo seja assinado. O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, havia pedido que os rebeldes parassem com os ataques e se concentrassem numa solução pacífica para a guerra civil que já dura 38 anos. Apesar do pronunciamento das Farc em favor da continuação do conflito, os dois lados tinham chegado no domingo a um acordo que significou o mais concreto passo em direção à paz desde que as negociações começaram há três anos. Entre outras medidas, ambos tinham concordado que as Farc tentariam interromper os seqüestros, enquanto o governo tentaria controlar os paramilitares que vêm combatendo o grupo rebelde. Cerca de 80 pessoas foram mortas pelas Farc em ataques nos últimos dez dias e outras ações recentes do grupo não deixam margem para otimismo em relação ao cessar-fogo. Os rebeldes destruíram 28 linhas de distribuição de energia, fazendo com que diversas áreas do país tivessem que enfrentar um racionamento. Na terça-feira, eles bloquearam estradas, atearam fogo em dois caminhões e seqüestraram sete caminhoneiros. O governo tem criticado as ações das Farc, mas ao mesmo tempo não está conseguindo sucesso na sua tentativa de receber a cooperação dos paramilitares. O presidente Pastrana pediu que os Estados Unidos participem com mais ênfase da busca de uma solução para o conflito, para assegurar que o seu fornecimento de petróleo não seja cortado. A Colômbia é o décimo maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos, mas essas exportações têm sido ameaçadas pelos ataques do grupo rebelde. Pastrana afirmou que vai pedir que soldados americanos treinem as tropas colombianas para proteger dutos de petróleo, pontes e outros componentes da infraestrutura do país contra ataques das Farc. Até agora, os Estados Unidos restringiram sua atuação ao combate ao narcotráfico.
Farc afirmam que ofensiva militar vai continuar
Quinta, 24 de Janeiro de 2002 às 22:31, por: CdB