Pouco antes do discurso do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, na capital italiana, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, lembrou que a produção mundial de alimentos precisa crescer 70% até 2050 para atender às futuras demandas da população. Mas destacou que entre os países emergentes o desafio é maior: “nesses países é preciso dobrar essa produção para atender a demanda”.
Diouf destacou, durante o discurso, que para eliminar a fome no mundo é preciso investir US$ 44 bilhões em infraestrutura e tecnologias para aumentar a produção agrícola. Ele afirmou que essa é uma “pequena quantia” comparada aos recursos aplicados no setor em países como os Estados Unidos:
– Espero que a gente possa contar com os líderes e presidentes presentes para ajudar no problema em cada um dos países.
Apesar do cenário negativo, com o crescimento do número de pessoas afetadas pela fome no mundo – que já passa de um bilhão –, Diouf destacou que países da América Latina e da Ásia têm conseguido reduzir o percentual de pessoas subnutridas em seus territórios.
– Isso significa que sabemos o que é necessário fazer para derrotar a fome. Essas pessoas (que passam fome) estão esperando vontade política e financiamento para isso acontecer – lembrou.
Mobilização
O presidente da Líbia, Muammar Kadafi, disse nesta segunda-feira, na abertura da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, que lamenta a ausência dos países ricos no evento e que essa é uma mensagem clara de que eles não estão se empenhando em participar do esforço para ajudar os “pobres”.
– A mensagem é que cada um de nós deveria cuidar das próprias questões. Infelizmente isso não vai ajudar a colocar um fim na pobreza e na fome. O que concluo é que o mundo não está mobilizando esforços e recursos para garantir a segurança alimentar – afirmou.
Kadafi defendeu que os países ricos têm uma dívida com os países da África, América Latina e Ásia em função dos processos de colonização. Ele defendeu que os ricos sejam “processados pela violação de direitos”.