O técnico Luiz Felipe Scolari está pagando um preço alto por ter deixado o atacante Romário fora da lista dos convocados para o amistoso da seleção brasileira contra a Bolívia, quinta-feira, em Goiânia. Desde o desembarque do grupo na capital de Goiás, no domingo à noite, a cobrança pela presença de Romário tem sido muito grande. Cerca de 100 torcedores fizeram um coro na chegada do time no Aeroporto Santa Genoveva em favor do atacante do Vasco. "Ão, ão, Romário é seleção", gritaram eles. A pressão aumentou no primeiro treino da seleção em Goiânia, na tarde desta segunda-feira, no estádio Serra Dourada, que será o local da partida. O treinamento foi aberto para o público, que trocou um quilo de alimento não perecível pelo ingresso. Mais de dois mil torcedores assistiram ao trabalho e a grande maioria fez questão de protestar contra a ausência de Romário no time do Brasil. Quando Felipão entrou em campo para o treino, a torcida soltou algumas vaias e aumentou os pedidos por Romário. Depois, durante o treinamento, a cada passe errado ou conclusão das jogadas dos atacantes, novamente o nome de Romário era gritado em coro pelos torcedores. Diante da primeira recepção, tudo indica que Felipão e os próprios jogadores não terão sossego durante a permanência da seleção em Goiânia. Os atletas tentaram "neutralizar" a pressão da torcida. O atacante Luizão, um dos nomes certos para a Copa, disse que a manifestação não vai mexer com sua concentração para o amistoso, e muito menos aumentar sua preocupação para garantir uma vaga no grupo que vai ao Mundial. "Romário é um jogador respeitado, por isso é natural a torcida gritar seu nome. Particularmente, não me atrapalha. Tenho de continuar meu trabalho pensando na Copa", afirmou o atacante do Corinthians, que se diz amigo de Romário, com quem jogou muito baralho na concentração nas vezes em que atuaram juntos pela seleção. O meia-atacante Kaká revela ser admirador de Romário. Pelo fato de ser o mais jovem da seleção e estar "debutando" na equipe, o jogador do São Paulo afirmou que está pronto para o desafio de entrar no time, mesmo com a pressão pela convocação de Romário. "A torcida gosta do Romário pelo o que já fez no futebol. Mas eu não posso ficar preocupado com isso, nem aumentar minha ansiedade para entrar logo no time", afirmou Kaká, que admitiu ser um "desconhecido" na seleção. "Mas estou me entrosando. Conversei muito com Scolari, ele pediu para que eu mantenha a tranqüilidade, como seu estivesse no São Paulo, porque ele não iria mudar minha forma de atuar na seleção", completou. O atacante Washington, da Ponte, é outro que pode sofrer com a exigência da torcida. Mas ele garantiu que não vai se abater. "Tinha uma experiência na seleção na Copa das Confederações e o resultado não foi bom. Agora, surgiu outra oportunidade e não posso decepcionar. A cobrança por Romário? Temos mostrar nosso valor para fazer com que a torcida passe a gritar o nome de gente", explicou o jogador.
Fantasma de Romário ronda a seleção
O técnico Luiz Felipe Scolari está pagando um preço alto por ter deixado o atacante Romário fora da lista dos convocados para o amistoso da seleção brasileira contra a Bolívia, quinta-feira, em Goiânia. Desde o desembarque do grupo na capital de Goiás, no domingo à noite, a cobrança pela presença de Romário tem sido muito grande. Cerca de 100 torcedores fizeram um coro na chegada do time no Aeroporto Santa Genoveva em favor do atacante do Vasco.
Segunda, 28 de Janeiro de 2002 às 21:35, por: CdB