Mãe de dois meninos, um de 6 anos e outro de 13, a professora Márcia Regina Bonfim recomenda que os pais estabeleçam limites para os filhos.
– Lá em casa ninguém faz como quer, a hora que quer – afirmou, enquanto os filhos lanchavam em um shopping de Brasília.
A mesma recomendação foi repetida por Domingos Lima de Brito, porteiro e pai de um menino de sete anos.
– Se abrir tudo para a criança, ela vai tomar conta – alertou. Tia de um garoto de 11 anos, Simone Bontempo, auxiliar de enfermagem, também orientou: “Às vezes, dá para quebrar a regra, mas às vezes é preciso dizer não”.
Apesar de as famílias saberem que é preciso impor limites, a opinião de especialistas é de que o incentivo ao consumismo vai além dos poderes dos pais, tios e avós.
– A família tem responsabilidade, mas também é vítima do assédio consumista – disse a coordenadora-geral do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, Isabela Henriques. Ela lembrou que o Estado e a sociedade têm obrigação de proteger as crianças, como está estabelecido na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código de Defesa do Consumidor.
Para o professor titular do Instituto de Psicologia, Yves de la Taille, “é um sofisma” (argumento que produz aparente verdade) atribuir à família a responsabilidade por filtrar toda a publicidade veiculada.
– Como assim, cabe à família? Quando se trata da coisa pública, você não pode colocar a regulação de uma coisa pública no domínio privado. Se os adultos são os primeiros a se entregar ao consumo, como eles poderão, como pais, regular o consumo dos filhos? – questiona.