Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Famílias descobrem que filhas foram trocadas no hospital

Terça, 06 de Janeiro de 2004 às 16:54, por: CdB

Após 11 meses, duas famílias conheceram suas verdadeiras filhas nesta terça-feira, em São Joaquim da Barra, na região de Ribeirão Preto.

As meninas foram trocadas na maternidade da Santa Casa da cidade, em 7 de fevereiro do ano passado, quando nasceram. Abaladas, as duas famílias não sabem se irão desfazer a troca, mas comunicaram o caso ao Ministério Público local. O resultado do exame de DNA, confirmando as trocas, saiu na segunda-feira.

Depois de ouvir de parentes e amigos que sua filha, Beatriz, ainda bebê, não se parecia com os pais, o vendedor Cleiton Laércio Bizaio Mustafe, de 25 anos, que mora em Guará, resolveu fazer um exame de DNA, em 27 de novembro, custeando os R$ 650,00.

Em 15 de dezembro, chegou o resultado e a confirmação: a menina não era filha biológica dele e da mulher Milena, de 33 anos. Então, comunicaram à direção da Santa Casa o resultado e a possível troca de bebês.

No último dia 16, após chegar em seus arquivos dados como data de nascimento e estudar os prontuários com as características dos bebês, a Santa Casa fez exames de DNA em outras três famílias.

Com o resultado do teste, os pais de Maria Fernanda, o pintor Paulo Sérgio Pereira Pinto, de 24 anos, e a faxineira Sandra, de 30, souberam que a filha havia sido trocada na maternidade. Sandra e Milena estavam no mesmo quarto no dia do parto e as duas meninas nasceram praticamente no mesmo horário, às 7h20.

Os pais encaminharam o caso ao Ministério Público, pois querem apurar responsabilidades pelo transtorno e até querem que a Santa Casa banque tratamentos psicológicos, mas não sabem se irão desfazer a troca. "É tudo muito recente", disse Mustafe.

O administrador da Santa Casa, João Alberto Destro, afirmou que a instituição dará todo o suporte necessário solicitado pelas famílias e até os que a Justiça determinar, se for o caso.

A região de Ribeirão Preto teve outro caso de troca de bebês descoberto recentemente. Em setembro, após 11 anos, um casal de Sertãozinho descobriu que a filha havia sido trocada na maternidade da Santa Casa.

O recepcionista Sidnei Rodrigues Santana, de 30 anos, sabia que a menina, desde os 3 anos, não era sua filha e suspeitou de traição da companheira. Mas a ex-mulher Simone Rodrigues, de 27 anos, só aceitou fazer o exame de DNA em 2003 e descobriu que também não era a mãe.

Após outros exames, das famílias que tiveram meninas em 21 de abril de 1992, Sidnei e Simone descobriram a verdadeira filha biológica, Virgínia, e a encontraram em outubro. Porém, não houve destroca. Eles ficaram a menina que criaram, Suélen. As famílias se aproximaram e tentam superar o trauma. O caso chegou à polícia.

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