Familiares de vítimas da violência fizeram uma manifestação no final da tarde desta terça-feira no Centro do Rio. Cerca de 300 pessoas se reuniram em frente à Igreja da Candelária e depois seguiram em passeata até à Cinelândia. Os manifestantes se dividiram quanto à declaração que governador Sérgio Cabral, feita na segunda-feira, de que pedirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a presença das Forças Armadas no policiamento das ruas do Rio de Janeiro.
Elson Vieites, pai do menino João Hélio, de seis anos, morto em fevereiro deste ano, acredita que a medida é válida no combate à violência.
- Acho favorável pedir o apoio das Forças Armadas. Quanto aos comentários do ministro da Justiça, Tarso Genro (que declarou ser contrário à idéia), achei negativo, pois se a Constituição precisa ser cumprida quando diz que as Forças Armadas só atuam em estado de emergência, ela também precisa ser cumprida para garantir os direitos do cidadão -, disse.
O jornalista Lênin Novaes, pai de Vladimir Novaes, morto em março por uma bala perdida, na Zona Norte da cidade, não acredita que a presença das Forças Armadas nas ruas seria a solução para o problema da violência no Rio. Lênin também discordou da possibilidade de armar a Guarda Municipal, outra proposta de Sérgio Cabral.
- Isso não resolve a questão. Armar a Guarda Municipal é uma aberração, é um absurdo. Temos que preparar a polícia para ela se tornar inteligente, investigativa, e não usar a arma em si para resolver o nosso problema -, observou.
A intenção dos manifestantes é, a partir dos protestos desta terça, formar um grupo nacional para encaminhar aos deputados federais pedidos de modificações na legislação penal, além de maiores investimentos em saúde e educação, como forma de prevenir a violência.
Os manifestantes caminharam pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, carregando cartazes com fotos de vítimas da violência no estado. Manifestações semelhantes foram programadas para ocorrer, simultaneamente, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Goiás e Sergipe.
Familiares de vítimas da violência no RJ se dividem sobre Forças Armadas
Terça, 10 de Abril de 2007 às 18:10, por: CdB