Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Familiares de desaparecidos políticos obtém acesso a documentos

Sábado, 23 de Julho de 2011 às 10:00, por: CdB

Vive-se o dia a dia, acompanha-se tudo, "o tempo não para" como dizem os versos do poeta Cazuza e nem sempre se tem, na hora a dimensão exata dos fatos. Mas, nem é preciso refletir muito para se concluir pelo alcance e caráter histórico da decisão do ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, de conceder acesso irrestrito a documentos da ditadura a um grupo de 12 familiares de mortos e desaparecidos políticos.

Agora estes familiares poderão ver todos esses documentos no Arquivo Nacional, no qual estão guardados centenas de milhares de papéis relativos ao regime militar. Para os demais brasileiros esse acesso é reservado aos eventuais arquivos sobre si mesmo ou sobre parentes. Terceiros precisam ser autorizados para ler os papéis.

A portaria assinada pelo ministro, com a liberação para este grupo, foi publicada no Diário Oficial da União da 5ª feira. Estes familiares tinham entrado há tempos no Ministério da Justiça com o pedido de acesso irrestrito aos documentos.

Com as informações, familiares vão ajudar a Comissão da Verdade


Agora, conforme anunciaram, programam formar um grupo de estudos para analiá-los e fornecer subsídios para o funcionamento da Comissão da Verdade, que investigará as violações aos direitos humanos no período de 1946 a 1988.

O projeto de criação da Comissão, encaminhado pel governo Lula no 1º semestre do ano passado,  ainda tramita no Congresso, mas o próprio governo tem a expectativa de que ela seja aprovada no reinício dos trabalhos pós recesso parlamentar em agosto.

Dessa forma, e por caminhos até diversos - como esta ação a que deram entrada no Ministério da Justiça - chega-se à verdade sobre aqueles anos de chumbo. Uma verdade que eu sempre disse aqui, pode até demorar mais ou menos tempo, mas um dia virá à tona.

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