Na próxima terça-feira, a direção da Associação dos Familiares das Vìtimas do Voo AF 447(AFVV 447) , que partiu do Rio de Janeiro no dia 31 de maio em direção a Paris e caiu sobre o Oceano Atlântico, terá duas importantes reuniões em Brasília. Às 16h, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, receberá os representantes das famílias para discutir a reivindicação de um maior acompanhamento do governo brasileiro sobre as investigações do trágico acidente, hoje responsabilidade exclusiva do governo da França.
Em seguida, o presidente da AFVV 447, Nelson Faria Marinho, e o diretor-executivo, Maarten Von Slujis, serão recebidos na Embaixada da França pelo ministro dos Transportes francês, Dominique Bussereau. Na reunião, a associação vai cobrar a vinda ao Brasil da direção do Beureau de Enquetes et Analyses (BEA) ), órgão que ficou encarregado das apurações.
– O BEA promoveu reuniões com os familiares das vítimas na Alemanha, na França e disseram que fariam uma também no Rio. Mas até agora nada. Não entendemos porque não deram explicações às famílias brasileiras, que formam a segunda maior comunidade de vítimas –, protesta o presidente Nelson Faria Marinho.
A AFVV 447 aguarda ainda a marcação de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal que foi solicitada pela entidade ao senador Paulo Paim. O requerimento para convocação desta audiência foi aprovado ontem pela comissão. Além dos representantes dos familiares serão convidados integrantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério Público Federal e ainda o embaixador da França no Brasil, Antoine Poullieute.
O presidente da AFVV 447, Nelson Faria Marinho, enviou ontem mesmo um telegrama de apoio e solidariedade na busca pela verdade ao presidente do Sindicato dos Pilotos da Air France, Gérard Arnaux. O sindicato acusou ontem os responsáveis pelas investigações do acidente de tentar minimizar falhas nos sensores de velocidade do avião para tentar atribuir aos pilotos do voo responsabilidade pela queda do Airbus.
– Assim como os pilotos da Air France, as famílias das vítimas tem o maior interesse de descobrir a verdade, e não de proteger os interesses das empresas A,B ou C – diz Nelson Faria Marinho.