Enquanto o pai, senador José Sarney, corre o risco de perder a chance da reeleição no Estado do Amapá, onde sua principal adversária, Cristina Almeida (PSB), perde por apenas 7% na preferência do eleitor, o Ministério Público Eleitoral do Maranhão entrou com representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra o deputado federal José Sarney Filho (PV), também candidato à reeleição.
O procurador Juraci Guimarães Júnior quer a abertura de investigação por considerar que ele tenha feito propaganda eleitoral antecipada e por suposto abuso do poder econômico. Segundo o procurador, no dia 24 de junho, portanto antes do período estabelecido pela Justiça Eleitoral para a propaganda eleitoral, foi encartado boletim do deputado no jornal O Estado do Maranhão, veículo de propriedade da família Sarney.
Guimarães Júnior afirmou que o boletim tinha "nítido conteúdo de propaganda eleitoral antecipada".
Além de caracterizar propaganda irregular, segundo o procurador, a distribuição gratuita de quase 10 mil boletins no jornal "configura abuso de poder econômico e de autoridade e uso indevido dos meios de comunicação em benefício próprio". Caso a ação contra Sarney Filho seja julgada procedente pelo TRE, o deputado poderá ter o registro cassado e ainda ficar inelegível por 3 anos.
Outro marqueteiro
A ameaça de perder a reeleição fez o senador José Sarney (PMDB-AP) trocar o marqueteiro de sua campanha. O novo responsável pela campanha, André Torreta, começou efetivamente nesta terça-feira, embora tenha sido indicado há uma semana, um dia depois de o Ibope divulgar pesquisa que mostrou o avanço de 11 pontos da candidata Cristina Almeida (PSB). Segundo a sondagem, Sarney obteve 47% das intenções de voto, contra 40% da adversária.
Torreta é publicitário e já participou de campanhas no Brasil e no exterior. Ele trabalhou também com Roseana Sarney, filha do senador. O comitê de campanha do peemedebista nega que a contratação de Torreta tenha relação com a pesquisa Ibope e justificou que a idéia é "dar uma arrumada no programa da TV". Segundo fonte no comitê de Sarney, o trabalho era feito antes por "jornalistas amigos", em Macapá.